Toda
semana no Brasil, é banhada por notícias de corrupção, em níveis de governo
(municipal, estadual, federal) e nos poderes.
Nesta semana, tivemos pelo noticiário a Megaoperação, que resultou em
várias prisões em vários estados, sobre o desvio de recursos do Fome Zero no
Paraná com cumplicidade de gerente da Companhia Nacional de Abastamento Conab –
Operação “Agro-Fantasma”. Segundo as informações levantadas, tais
irregularidades ocorriam desde 2009, perdurando até os dias atuais. Causa
indignação e perplexidade o relato dos fatos noticiados todos os dias de
corrupção com os recursos públicos, um dinheiro que é bem de todos, portanto,
sua aplicação deve ser em favor do bem comum, pois essa é finalidade da coisa
pública. Corrupção é uma ilicitude, com objetivo de favorecimento em favor de
alguém, ou seja, alguém leva vantagem com algo errado, é isso na linguagem
simples. Seria a corrupção uma síndrome? Talvez fosse, porque no caso específico
do Brasil, quando se fala em aplicação de recursos públicos, já pressupõe
fraude, desde o início de uma licitação, que vem dirigida, já começa fraudulenta,
segue adiante. Também poderia ser
considerada corrupção uma epidemia, pois sua ação é devastadora, perversa,
nefasta, domina e contamina a sociedade, o poder, frauda leis e regulamentos,
não tem limites, ainda com permanente fiscalização pelos órgãos competentes e a
devida previsão legal de punibilidade. Também nos tempos atuais no Brasil, poderia
ser a corrupção considerada também modismo, ou seja, está em quase todos locais
e lugares, por todos os lados. Muitos se utilizam desta situação para arrancar
dinheiro dos cofres públicos, como se fosse um trabalho honesto a corrupção.
Inovando os arranjos para corrupção, virou moda utilização de belíssimas
mulheres, com poder de sedução, como recente escândalo envolvendo a modelo
Luciane Hoppers com “prefeitos e fundos de pensão de municípios” (operação
Miquéias). Quando se fala em corrupção, o que mais se destaca no Brasil, é com
os recursos públicos em todos os níveis da administração pública e de poderes
constituídos. Do jeito que está indo, o modismo da corrupção, faltará nome para
as futuras operações da Polícia Federal. Seja qual for à classificação
(síndrome, epidemia, modismo), o fato é lastimável para o cidadão correto,
eleitor de carteirinha, pagador de impostos, conviver diariamente com essas
notícias, e na apuração dos fatos, quase sempre termina na mesa, ou seja, em
“pizza”. É óbvio, que diante de tantas investigações muitas já chegaram à
punição, outras estão em andamento, enfim, o que não pode é ficar no
esquecimento, paralisado junto ao STF, como o Mensalão, empacado nos embargos
infringentes, que pode virar um efeito dominó, pois existem muitos casos
idênticos esperando no STF sentença como de Jader Barbalho, Paulo Maluf entre
outros influentes detentores de mandato político. Um absurdo tremendo imaginar
que autoridades, políticos, funcionários públicos, agentes públicos, pessoas do
setor privado, se articulam e se envolvem em esquemas de corrupção fraudando
programas e licitações, beneficiando-se desses negócios ilícitos apropriando-se
dos recursos públicos destinados atender necessidades mínimas da população
(saúde, educação, segurança, moradia,
infra estrutura...). Nesse momento em
que vivemos no Brasil, torna-se necessário relembrar as memoráveis palavras
ditas no passado por Rui Barbosa em seu discurso “Sinto vergonha de mim”: (...) “De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto
ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da
virtude. A rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
Visa o blog divulgar matérias sobre direito, política, vida e fatos, segundo o livre pensamento do autor do blog, e inserir no leitor provocações reflexivas, demandando o mesmo a pensar sobre o que foi escrito, os fatos descritos nos artigos, a realidade, tudo quanto se puder expressar através da escrita. Quando se fala em provocações, na verdade é dar um choque de realidade sobre o que se escreve, e levar as pessoas a refletirem sobre o conteúdo do escrito.
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segunda-feira, 30 de setembro de 2013
CORRUPÇÃO: SÍNDROME, EPIDEMIA OU MODISMO
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
VOTO TÉCNICO & VOTO POLÍTICO
O voto do ministro Celso de Mello, causou reações diferentes, pois o clamor público estava aguardando a rejeição dos embargos infringentes, como uma forma de encerramento do processo na sessão do dia 12 de setembro de 2013. Voto técnico, significa que o ministro decidiu segundo os critérios jurídicos, pois o voto não técnico é possível de nulidade ou anulabilidade. A regra é o voto técnico, com fundamento na norma legal, em um sentido, atendendo requisitos formais e materiais, com consolidam os efeitos jurídicos de uma decisão. O voto político, no mínimo seria seguir os valores políticos, com a defesa de grupo específico, pois algumas vezes, tem-se decidido pela contemplação de valores políticos, em detrimento da aplicação do direito e talvez contrário aos interesses da população, como discussões de independência do STF, durante a apreciação da Ação Penal 470, ocupou-se de uma conotação política. Talvez no caso da ação penal 470, embora como todo o processo tem suas regras, o que traz desconfiança na população, talvez não seja o voto do ministro Celso de Mello, na aceitação dos embargos infringentes, mas a “eternização do caso”, pois poderia ter sido encerrado na sessão do dia 12 de setembro. Pelo livre convencimento, alguns juízes seguem a lei e outros torcem segundo suas conveniências, fato público e notório extraídos de inúmeros julgamentos do próprio STF e outros tribunais judiciários do nosso país. O ato de julgar, não é fácil, pois exige do julgador um exercício de interpretação para adequar o fato e norma. A lei por mais ampla que seja, não consegue atingir todas as situações no mundo real, portanto, após sua integração ao sistema, passa a sofrer mudanças, tanto pela doutrina, tanto pela jurisprudência, além do contexto social para sua aplicação. O ministro reconheceu “todos os cidadãos têm direito à livre expressão de suas idéias e pensamentos”, contudo, “deixou claro que toda a decisão dever ocorrer num ambiente de “serenidade, para não se deixar contaminar por manifestações de ordem pública”. Seguiu o ministro a regra do “chamado duplo grau de jurisdição que todo réu tem direito”, mesmo no foro privilegiado, que é o caso de alguns réus do mensalão, que eram deputados federais e gozam desse privilégio, ou seja “recorrer para uma instância superior”. Agora, ultrapassado as fases processuais, cabe à Corte Suprema zelar para que sejam usados os mecanismos legais e técnicos, aplicar o direito segundo o ordenamento jurídico. Como requer a democracia espera-se no mínimo um “julgamento justo, independentemente da condição social, política ou econômica dos réus da ação penal 470, conhecida como processo do “Mensalão”. Todo cidadão, e não só os réus do mensalão, deve receber do Estado proteção em torno de sua pessoa, no mínimo respeito a direitos, garantias e liberdades fundamentais.
Artigo publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte", edição de 22/23 de setembro de 2013.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
DESVIOS LEGAIS
Os deputados
mantiveram o mandato de Natan Donadon, na semana passada, em que pese fundamentos
legais, todavia, tal procedimento foi um ato imoral e no mínimo uma afronta a
transparência, que se buscou nas ruas nos últimos meses. Na segunda-feira (2/9),
o ministro Luís Roberto Barroso suspendeu os efeitos da decisão da Câmara dos
Deputados que havia mantido o mandato de Natan Donadon. Em ação de mandado de
segurança, o impetrante Natan Donadon, com pedido liminar, teve também suspenso
também seus vencimentos e subsídios, conforme decisão liminar do ministro Dias
Toffoli (medida cautelar em mandado de segurança 32.299DF). Após esse surto
e/ou delírio, verdadeira afronta a ética e a moral, que a população tentar
depositar nos seus eleitos, aliás pagos com o direito da população, a Câmara,
no ato de redenção, derrubou o voto secreto, aprovando o voto aberto por
unanimidade dos 452 deputados presentes, empurrando a decisão para o Senado
Federal. No Senado seguirá sua trajetória própria, ou mais, nos “trâmites
legais”, na Comissão de Constituição e Justiça e na Comissão Especial, terá de
ser votado em dois turnos. Portanto, se o Senado não for “pressionado”, como
foi a Câmara, tão cedo não apresentará sua decisão. Todos esses fatos que se
passam na esfera do executivo, legislativo, senado federal, em geral, brotam na
população, uma indignação cívica de ampla perplexidade, uma tripudiação sem
igual, muito mais violenta a ação do que os violentos Black Blocs. O
procedimento dos nossos representantes, após eleição, esquecendo-se das
promessas, voltando-se para si próprios, para seus grupos políticos e
partidários, para não dizer pensando em si próprios, demonstra uma inversão de
valores que anda presente em nossa cultura política. Uma vez os eleitos,
entrando nos palácios e casas políticas, onde o povo sequer pode adentrar, a
não ser que seja convidado expressamente, passam a emitir ações de indiferença,
prepotência, arrogância, se fazendo diferente ao povo, se julgando algumas
vezes, como se tem visto, acima do bem e do mal. Muitos desvios legais se têm
visto neste país, para beneficiar a classe política e grupos partidários
dominantes, em todos os níveis, talvez em homenagem ao princípio democrático. Tem
“desvios” que se tornam em maldição. Por exemplo, o privilégio do foro
especial, visto como “benesse”, criado pela República, garante a políticos não
sejam julgados pelas instâncias comuns, como todo cidadão do País, se vê
obrigado a se submeter pelo império da lei. Agora, o foro privilegiado é algo
ruim, uma violação do direito ao duplo grau de jurisdição, consoante reclamação
reiterada da classe política. É uma violação contra os direitos humanos. Estão
certos. A Comissão e a Corte Interamericana de Direitos Humanos cansaram de
apontar que o “direito de recorrer de uma sentença a um tribunal diferente é
garantia do devido processo legal e direito humano”. No mesmo sentido, o Comitê
de Direitos Humanos da ONU, diz que, “se uma corte atua como primeira e única
instância viola-se o direito à apelação presente no Pacto de Direitos Civis e
Políticos”. No caso, vai ocorrer um fato
inédito, porque, socorreram do privilégio para se beneficiar, sonegando direitos mínimos ao cidadão comum,
agora, vão ver estes sistemas funcionando na eliminação de seus privilégios. Em
tudo isso, qualquer cidadão comum, fica indignado, discordando do desperdício
do dinheiro público, arrecadado de impostos e taxas que o Estado brasileiro
exige do cidadão, numa voracidade sem limites, às vezes em situação vexatória,
com desprezo mínimo ao devido processo legal.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
SONHOS DE LIBERDADE
No dia 28 de agosto de 1963, meio
século atrás, em Washington (Estados Unidos) Martin Luther King
discursava contra a segregação racial nos EUA, em cujo discurso ficou
conhecido a frase “Eu tenho um sonho”. Sonhos
de que as pessoas fossem uma única nação e não fossem julgadas pela cor de sua
pele, mas pelo teor de seu caráter. O tema central de seu discurso, não era
lutar por direitos somente dos negros americanos. King foi mais além, queria que os Estados Unidos
reconhecesse e aplicasse o “princípio que todos os seres humanos são criados
iguais”. King em seu discurso não pregava
identidade racial, nem mesmo diferenças por conta do físico, de cor de
cabelos e ossos, ao contrário, invocava
e não aceitava, a divisão de seres humanos, como acontecia nos Estados
Unidos, uma nação de colonos brancos rodeada por minorias raciais (indígenas,
asiáticos, e negros africanos). Posteriormente a esse discurso houve
transformações enormes e necessárias, e
que continua a transformar, mesmo porque, Luther King e seus seguidores,
percebiam que a luta pela justiça social era uma batalha, não só contra a
segregação, mas também por uma igualdade econômica. A
Marcha sobre Washington contaminou o mundo, porque, a igualdade e a
liberdade, têm que ser mais que um
sonho, atender os anseios sociais de homens e mulheres, mais que um ideal
abstrato, satisfazer as necessidades vitais de um ser humano: vida, liberdade,
emprego, educação, segurança, justiça. A discriminação no mercado de trabalho é
onipresente e profunda. Num mundo de economia globalizada, cada vez mais, em
busca do lucro, da competição, estamos não mais discriminando, mais descartando
pessoas, procurando cada vez mais mão-de-obra barata em todo lugar do mundo,
onde possa existir. Não é o caos, é uma realidade constante. A atualidade permanente do discurso de Martin Luther King continua a
existir, pois ainda temos a segregação racial presente em muitos lugares do
mundo e também no Brasil, com noção equivocada
de visão da humanidade em raças, contrariando o discurso de King, que “todos os
seres humanos são iguais”, que invocando direito, liberdade, sobrevivência digna. “Eu
tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia viverão numa nação onde não
serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter. Quando
deixamos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação em cada
lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele
dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e
cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as
palavras do antigo spiritual negro: “Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos
a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim”. Essa sentença final do discurso de Martin
Luther King, reflete sempre a atualidade de que “todos somos iguais, por isso a
universalidade do sonho de liberdade e vida digna para todos os povos”. Martin
Luther King era um pastor norte-americano e em 1964 recebeu o prêmio Nobel da
Paz. Foi um dos maiores líderes contra a opressão racial. Lutou contra a
desigualdade racial através de discursos e protestos de forma pacífica. “Eu também sou vítima de
sonhos adiados, de esperanças dilaceradas, mas, apesar disso, eu ainda tenho um
sonho, porque a gente não pode desistir da vida”, dizia King. Talvez se tivesse vivo com a idade de 84 anos,
estaria em marcha contra o governo Barack Obama, que “esta prestes a autorizar um ataque à Síria”,
contrariando o discurso de King que “privilegiava a paz ao invés da
violência”.
Artigo publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte - edição de 01/02 de setembroo de 2013.
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