Pesquisar este blog

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

RITUAL DO TEMPO


Estamos vivendo a era do “click”,  dessa forma muitas vezes resolvemos situações que talvez demandasse um volume maior de tempo. Por exemplo, pagamentos feitos  via internet, ir ao banco, usar o caixa eletrônico, compras pela internet, trocas de correspondências via e-mail, variedades de situações que o click resolve.  Ganhamos tempo, mas gastamos mais trabalho, para comprar e pagar a tecnologia. A demanda atual de inúmeros afazeres, na maioria das situações exigem comportamentos “rápidos”  “perfeitos”, impedindo nosso pensar e vivenciar situações do tempo de forma serena e tranquila, levando-nos a uma situação extrema de tensão e compulsão. Deixamos de vivenciar o tempo e comemorar festivamente cada instante de tempo de nossa existência. Talvez por isso, a nossa sociedade, cada vez mais está submetida a controles de perfeição, ainda que de forma despercebida e inconsciente,  situações de um mínimo de exigência intelectual. Tudo deve ser rápido e imediato, contrariando o ritual do tempo (horas, minutos, dias, meses e anos). Consumimos produtos pela cor e cheiro, sem atentar a qualidade alimentar e o bem estar ao nosso organismo. Assistimos programas de televisão  que não exigem o mínimo de preparo intelectual (esforço cognitivo), vendo situações que denigrem a personalidade da pessoa humana, embora as pessoas que estão participando desses programas estejam atrás de fama, sucesso e dinheiro. Imaginemos que antigamente a média de vida da população era em torno de 50 anos. Hoje  é em torno de 74 anos a média brasileira de idade. Veja que esse processo de vida, não foi construído com um “click”, ao contrário, ela foi um processo do tempo, onde se somou vários fatores entre eles o tempo.  Toda técnica é necessária para nosso bem estar, o que falta aos seres humano é a forma de utilização. Não se pode ser dominado pelas máquinas. É necessário e fundamental  ensinar, pensar, porque a máquina é um instrumento para o homem; ela não pode substituir o homem, como muitos querem que isso aconteça. O ritual do tempo (horas, minutos, dias, meses e anos) são elementos de marcação do tempo necessários para nossa vida.  Não podemos resolver tudo precocemente com um “click”. Necessário e útil a nossa convivência com as máquinas, mais útil e necessário é estar atento ao tempo, controlando nosso raciocínio de não forma programada, mas mantendo a liberdade de criatividade e experiências que demanda tempo, com um juízo de exceção que seja relevante para nossa vida.  Estamos na era da insatisfação, não sabemos lidar com o tempo (de trabalho e existencial), pois quando conquistamos o objeto desejado, em pouco instantes, talvez até segundos, estamos satisfeitos,  saciados e habituados, contudo, não é o esperado, passamos a conquista de nossos objetos de desejo, deixando de cultivar sentimentos e alegrias. Desprezamos o tempo que é essencialmente um bem livre, que não poderia sucumbir a nenhuma especulação econômica.  No fundo, estamos cada vez mais empobrecidos interiormente porque não sabemos lidar com o tempo, curtir nossas alegrias, tristezas, emoções.    
Publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte" dia 27 de janeiro de 2013.   

AFINAL DE CONTAS A VIDA É REAL E NÃO VIRTUAL...

Augusto Cury, em sua obra I ntoxicação Digital, ed. Benvirá, 2a edição, 2024, p.135, escreveu: [...] A vida é dramaticamente curta para se v...