“VIDAS SEM VIDAS”
"... Mas de tanto lamentar o
passado ou ter esperança no futuro, acabamos por perder a única vida que vale
ser vivida, a que depende do aqui e do agora, e que não sabemos amar como ela
certamente merece". (LUC FERRY - Aprender a viver -Objetiva, RJ, p.
27).
Construímos, edificamos, conquistamos, e de
repente percebemos que nada nos satisfaz, está tudo vazio, oco. Percebemos que o tempo passou e nada do que
fizemos valeu a pena. A vida, o tempo, não retorna mais. Tomamos pé da
situação, repensando tudo que passou. Nada mais voltará para compensar a nossa
frustração, porque o tempo passou e também a vida. Examinando tudo que se passou,
restou apenas lembranças, momentos de alegria e tristezas. As nossas conquistas
pelo poder, dinheiro, posição social, já
não valem mais nada, porque já nenhuma delas traz nenhum satisfação, restaram
frustradas. Também elas já não preenchem o nosso tempo e nossa vida. O que
resta disso tudo? Resta a vida e o tempo. A frustração diante da vida e do
tempo, não temos como escapar disso, apesar de inúmeras fantasiosas situações
que nos rodeiam com bens e farto consumo, nenhuma delas vai remir a vida e o
tempo. Vaidades e vaidades. A vida tem fim e o tempo é fatal. Ou seja, temos tempo de validade.
Então, enquanto temos tempo, devemos colocar vida no tempo e viver a vida com
vida, ou seja, “viver plenamente sempre, como fosse sempre o último instante de
vida que temos direito, restando sempre o presente, hoje, agora”. Amar, beijar, perdoar, gritar, sorrir, comer,
admirar a natureza, tomar banho de chuva, acalantar seus filhos, dar carinho,
afeto, enfim, inúmeras coisas que de tão simples que são, passam despercebidas
e talvez seja o melhor da vida! A vida é um milagre sem medida e o tempo corre junto
com ela, imutável, implacável.