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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

TUDO SE COMPRA?



Reportagem publicada na revista Veja (edição 2296 – ano 45 – nº 47 21 de novembro de 2012), relata a que uma brasileira, do Estado de Santa Catarina, Ingrid Migliorini 20 anos, leiloou sua virgindade por 1,6 milhões de reais.  Talvez de imediato, houvesse um choque, mas, por outro lado, o que está em jogo é uma regra de mercado, realidade presente em nosso dia a dia, não obstante, seja relacionado a pessoa humana (gente). Está havendo um contrato, um vende, outro compra, adultos que são, têm livre vontade para dispor  e celebrar contrato. Oferta e compra, assim é uma questão de ajuste de acordo.  Ingrid fez oferta pública, via leilão, por alguma ferramenta virtual, vão fazer o acerto do contrato e verificar as condições que ela informou no leilão. É óbvio que o vencedor do leilão, um japonês, noticiado pela imprensa, vai tomar as precauções legais que cerca o negócio, podemos assim chamar. Além disso, cercam-se as negociações por uma gama de mídia, via televisão australiana, que criou o “Virgins Wanted (Procuram-se virgens). Tudo gira em torno do fator monetário, sensacionalismo, afora emoções.  No tocante ao caso em tela, parece anormal, mas se existe o mercado negro da venda de meninas virgens, como vem sendo constantemente anunciado em classificados de jornais, internet e site diversos,  de igual forma, outros mercados com seres humanos também  ilegalmente existem, constantemente denunciados à autoridades. O que se extraí do negócio, é que realizado em águas internacionais, conforme se pode ler de vários noticiários, portanto, nenhuma legislação deve ser aplicada, nem a brasileira e nem a australiana. Existem “n” situações que podem de imediato mexer com nossa emoção, mas é uma realidade de mercado, ainda que ilegal, casos como de Ingrid Migliorini. Pode-se comprar órgãos, bebês, e outros objetos corporais, como obter um bebê pela reprodução assistida, escolhendo detalhes como cor dos olhos, entre outros, conforme se pode constatar recentemente na descoberta da turbinação de reprodução assistida do Dr.  Roger Abdelmassih, via imprensa, então médico renomado no tratamento de reprodução humana no Brasil. Evidentemente não é normal a situação da brasileira e nem normal vender bebês e outras partes do corpo, nem a intimidade, nem mesmo a consciência, mesmo à política partidária, conforme foi provado pelos fatos contido no processo da  Ação Penal AP 470  (Mensalão), que ficará na memória da população brasileira em 2012, não obstante outras situações, crises e tragédias.  A par da legislação brasileira, o negócio da jovem catarinense, encontraria vedação legal para sua realização no Brasil ou talvez em outros países por contrariar os bons costumes  (artigo 13 Código Civil de 2002, parte final). Todavia, o que se vê na situação posta a prevalência do direito à intimidade, onde o indivíduo determina ou não quem participa de sua intimidade, previsto na Constituição Federal (art. 5º, X). O exercício do direito à intimidade (direito personalíssimo), é ligado diretamente à esfera reservada da pessoa, portanto, em que pese argumentos diversos, a catarinense está alienando o que é seu de livre e espontânea vontade, devendo suportar todo  ônus do negócio em que está envolvida, obviamente assistida  por profissionais de várias áreas (advogados, médicos, psicólogos entre outros), conforme se notícia pela imprensa.  Ademais, para arrematar os fatos, conforme noticiário recente, já é capa da Revista  Playboy de janeiro de 2013, embolsando o montante não relevado à imprensa do contrato publicitário. Afinal, hoje reina a economia de mercado, vende quem tem, compra quem pode, mesmo contrariando os bons costumes, a lei, a ética, a justiça, a fé e valores inerentes a dignidade da pessoa humana.     

AFINAL DE CONTAS A VIDA É REAL E NÃO VIRTUAL...

Augusto Cury, em sua obra I ntoxicação Digital, ed. Benvirá, 2a edição, 2024, p.135, escreveu: [...] A vida é dramaticamente curta para se v...