A realidade dos fatos
não pode ser ignorada, no tocante a violência no Brasil, tanto por mortes
decorrentes de crimes, quanto mortes no trânsito. Segundo pesquisas, as mortes
no trânsito já superam os crimes de homicídio. Atualmente, é rara alguma
família não perder seus entes queridos, ou quando, todos da mesma família, são
mortos no trânsito. Os jovens são as principais vítimas no trânsito, conforme
levantamento ocorrido em 2012. Também são a maioria de vítimas em crimes de
homicídio. O Brasil tem a quinta maior taxa de mortes no trânsito no planeta,
segundo levantamento do Ministério da Saúde e, se levado em conta as
estatísticas do DPVAT, poderíamos ter um número bem maior de vítimas.
Costuma-se, diante da trágica realidade brasileira, apontar a falta de
estruturas e de deficiência das estradas, falhas na sinalização, como
fundamentos para amenizar as tragédias no asfalto. Têm aqueles que afirmam que
a culpa, é das indústrias que constroem carros no Brasil, sem um mínimo de
segurança, comparado aos padrões europeus. É verdade que algumas ocasiões as
estradas e a falta de sinalização influência acidentes, contudo, segundo
levantamento feito por órgãos especializados, mais de 95% dos desastres viários
no Brasil, são o resultado de uma combinação de irresponsabilidade e imperícia.
Imperícia, é a falta de habilidade, capacidade e experiência para condução de
veículos. Na realidade, o Brasil vem há muito tempo utilizando a indústria de
automóvel como carro chefe da economia (geração de empregos e impostos), e os
carros com geração de impostos, multas e taxas. Na legislação de trânsito, a
aplicação da lei, está ligada diretamente a arrecadação (aplicação de multas), nenhuma
contrapartida em educação voltada para o trânsito, pois é singela a formação de
motoristas e muito pouco se investe na formação do cidadão para o
trânsito. As leis de trânsito são
desobedecidas a todo instante, basta se posicionar próximo a um semáforo de
grande circulação de veículos, que será fácil constatar como os motoristas
burlam as regras de trânsito, trazendo insegurança ao que circulam nas ruas e
estradas. Depois de muito esforço da sociedade, foi aprovado a Lei Seca,
permitindo a punição dos condutores embriagados, mesmo sem o bafômetro, o que
diminuiu o índice de acidentes com motoristas alcoolizados ao volante. Não é
falar mal do Brasil e nem de seu povo, mas é essencial que tenhamos em mente,
um compromisso pessoal de cada um de nós respeitar as leis e as regras impostas
pelas autoridades, a fim de se manter uma convivência harmoniosa no trânsito. O desprezo pelas leis e regras, está se
tornando nos dias atuais, como regra, enquanto àqueles que cumprem fielmente,
são considerados estrangeiros, na gíria popular. Estamos tão desregrados em
matéria de trânsito, notamos no dia-a-dia motoristas se comportando como se o
fato de um pedestre atravessar o sinal fechado lhes desse o direito de
atropelá-lo, quando não aceleram seus possantes carros, como fossem atirar para
matar e ferir. Viajar pelas estradas, também é um risco, porque além de
plenamente lotada de veículos e caminhões, existe a má conservação das mesmas,
cumulado com manobras arriscadas em todos os locais das estradas, pelos
motoristas, sem observar a devida sinalização, pois tiram sua primeira
habilitação com a carga horária mínima de horas, que contribui em muito para as
tragédias no trânsito. Como diz João Ubaldo Ribeiro, revista Veja nº 2333,
p.112: “Todo trânsito brasileiro é uma escândalo, nas cidades e nas estradas”.
Artigo publicado no Jornal Folha Regional de Cianorte edição 25-26 de agosto de 2013.