No dia 28 de agosto de 1963, meio
século atrás, em Washington (Estados Unidos) Martin Luther King
discursava contra a segregação racial nos EUA, em cujo discurso ficou
conhecido a frase “Eu tenho um sonho”. Sonhos
de que as pessoas fossem uma única nação e não fossem julgadas pela cor de sua
pele, mas pelo teor de seu caráter. O tema central de seu discurso, não era
lutar por direitos somente dos negros americanos. King foi mais além, queria que os Estados Unidos
reconhecesse e aplicasse o “princípio que todos os seres humanos são criados
iguais”. King em seu discurso não pregava
identidade racial, nem mesmo diferenças por conta do físico, de cor de
cabelos e ossos, ao contrário, invocava
e não aceitava, a divisão de seres humanos, como acontecia nos Estados
Unidos, uma nação de colonos brancos rodeada por minorias raciais (indígenas,
asiáticos, e negros africanos). Posteriormente a esse discurso houve
transformações enormes e necessárias, e
que continua a transformar, mesmo porque, Luther King e seus seguidores,
percebiam que a luta pela justiça social era uma batalha, não só contra a
segregação, mas também por uma igualdade econômica. A
Marcha sobre Washington contaminou o mundo, porque, a igualdade e a
liberdade, têm que ser mais que um
sonho, atender os anseios sociais de homens e mulheres, mais que um ideal
abstrato, satisfazer as necessidades vitais de um ser humano: vida, liberdade,
emprego, educação, segurança, justiça. A discriminação no mercado de trabalho é
onipresente e profunda. Num mundo de economia globalizada, cada vez mais, em
busca do lucro, da competição, estamos não mais discriminando, mais descartando
pessoas, procurando cada vez mais mão-de-obra barata em todo lugar do mundo,
onde possa existir. Não é o caos, é uma realidade constante. A atualidade permanente do discurso de Martin Luther King continua a
existir, pois ainda temos a segregação racial presente em muitos lugares do
mundo e também no Brasil, com noção equivocada
de visão da humanidade em raças, contrariando o discurso de King, que “todos os
seres humanos são iguais”, que invocando direito, liberdade, sobrevivência digna. “Eu
tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia viverão numa nação onde não
serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter. Quando
deixamos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação em cada
lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele
dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e
cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as
palavras do antigo spiritual negro: “Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos
a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim”. Essa sentença final do discurso de Martin
Luther King, reflete sempre a atualidade de que “todos somos iguais, por isso a
universalidade do sonho de liberdade e vida digna para todos os povos”. Martin
Luther King era um pastor norte-americano e em 1964 recebeu o prêmio Nobel da
Paz. Foi um dos maiores líderes contra a opressão racial. Lutou contra a
desigualdade racial através de discursos e protestos de forma pacífica. “Eu também sou vítima de
sonhos adiados, de esperanças dilaceradas, mas, apesar disso, eu ainda tenho um
sonho, porque a gente não pode desistir da vida”, dizia King. Talvez se tivesse vivo com a idade de 84 anos,
estaria em marcha contra o governo Barack Obama, que “esta prestes a autorizar um ataque à Síria”,
contrariando o discurso de King que “privilegiava a paz ao invés da
violência”.
Artigo publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte - edição de 01/02 de setembroo de 2013.