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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

SONHOS DE LIBERDADE

No dia 28 de agosto de 1963, meio século atrás, em Washington (Estados Unidos) Martin  Luther King  discursava contra a segregação racial nos EUA, em cujo discurso ficou conhecido a frase “Eu tenho um sonho”.  Sonhos de que as pessoas fossem uma única nação e não fossem julgadas pela cor de sua pele, mas pelo teor de seu caráter. O tema central de seu discurso, não era lutar por direitos somente dos negros americanos.  King foi mais além, queria que os Estados Unidos reconhecesse e aplicasse o “princípio que todos os seres humanos são criados iguais”. King em seu discurso não pregava  identidade racial, nem mesmo diferenças por conta do físico, de cor de cabelos e ossos, ao contrário, invocava  e não aceitava, a divisão de seres humanos, como acontecia nos Estados Unidos, uma nação de colonos brancos rodeada por minorias raciais (indígenas, asiáticos, e negros africanos). Posteriormente a esse discurso houve transformações enormes e necessárias,  e que continua a transformar, mesmo porque, Luther King e seus seguidores, percebiam que a luta pela justiça social era uma batalha, não só contra a segregação, mas também por uma igualdade econômica.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   A Marcha sobre Washington contaminou o mundo, porque, a igualdade e a liberdade,  têm que ser mais que um sonho, atender os anseios sociais de homens e mulheres, mais que um ideal abstrato, satisfazer as necessidades vitais de um ser humano: vida, liberdade, emprego, educação, segurança, justiça. A discriminação no mercado de trabalho é onipresente e profunda. Num mundo de economia globalizada, cada vez mais, em busca do lucro, da competição, estamos não mais discriminando, mais descartando pessoas, procurando cada vez mais mão-de-obra barata em todo lugar do mundo, onde possa existir. Não é o caos, é uma realidade constante.  A atualidade permanente  do discurso de Martin Luther King continua a existir, pois ainda temos a segregação racial presente em muitos lugares do mundo e também  no Brasil, com noção equivocada de visão da humanidade em raças, contrariando o discurso de King, que “todos os seres humanos são iguais”, que invocando direito, liberdade,  sobrevivência digna.   “Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter. Quando deixamos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação em cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo spiritual negro: “Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim”.  Essa sentença final do discurso de Martin Luther King, reflete sempre a atualidade de que “todos somos iguais, por isso a universalidade do sonho de liberdade e vida digna para todos os povos”. Martin Luther King era um pastor norte-americano e em 1964 recebeu o prêmio Nobel da Paz. Foi um dos maiores líderes contra a opressão racial. Lutou contra a desigualdade racial através de discursos e protestos  de forma pacífica. “Eu também sou vítima de sonhos adiados, de esperanças dilaceradas, mas, apesar disso, eu ainda tenho um sonho, porque a gente não pode desistir da vida”, dizia King.  Talvez se tivesse vivo com a idade de 84 anos, estaria em marcha contra o governo Barack Obama, que  “esta prestes a autorizar um ataque à Síria”, contrariando o discurso de King que “privilegiava a paz ao invés da violência”. 
Artigo publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte - edição de 01/02 de setembroo de 2013.

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