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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

CONSTANTE PERIGO


A realidade dos fatos não pode ser ignorada, no tocante a violência no Brasil, tanto por mortes decorrentes de crimes, quanto mortes no trânsito. Segundo pesquisas, as mortes no trânsito já superam os crimes de homicídio. Atualmente, é rara alguma família não perder seus entes queridos, ou quando, todos da mesma família, são mortos no trânsito. Os jovens são as principais vítimas no trânsito, conforme levantamento ocorrido em 2012. Também são a maioria de vítimas em crimes de homicídio. O Brasil tem a quinta maior taxa de mortes no trânsito no planeta, segundo levantamento do Ministério da Saúde e, se levado em conta as estatísticas do DPVAT, poderíamos ter um número bem maior de vítimas. Costuma-se, diante da trágica realidade brasileira, apontar a falta de estruturas e de deficiência das estradas, falhas na sinalização, como fundamentos para amenizar as tragédias no asfalto. Têm aqueles que afirmam que a culpa, é das indústrias que constroem carros no Brasil, sem um mínimo de segurança, comparado aos padrões europeus. É verdade que algumas ocasiões as estradas e a falta de sinalização influência acidentes, contudo, segundo levantamento feito por órgãos especializados, mais de 95% dos desastres viários no Brasil, são o resultado de uma combinação de irresponsabilidade e imperícia. Imperícia, é a falta de habilidade, capacidade e experiência para condução de veículos. Na realidade, o Brasil vem há muito tempo utilizando a indústria de automóvel como carro chefe da economia (geração de empregos e impostos), e os carros com geração de impostos, multas e taxas. Na legislação de trânsito, a aplicação da lei, está ligada diretamente a arrecadação (aplicação de multas), nenhuma contrapartida em educação voltada para o trânsito, pois é singela a formação de motoristas e muito pouco se investe na formação do cidadão para o trânsito.  As leis de trânsito são desobedecidas a todo instante, basta se posicionar próximo a um semáforo de grande circulação de veículos, que será fácil constatar como os motoristas burlam as regras de trânsito, trazendo insegurança ao que circulam nas ruas e estradas. Depois de muito esforço da sociedade, foi aprovado a Lei Seca, permitindo a punição dos condutores embriagados, mesmo sem o bafômetro, o que diminuiu o índice de acidentes com motoristas alcoolizados ao volante. Não é falar mal do Brasil e nem de seu povo, mas é essencial que tenhamos em mente, um compromisso pessoal de cada um de nós respeitar as leis e as regras impostas pelas autoridades, a fim de se manter uma convivência harmoniosa no trânsito.  O desprezo pelas leis e regras, está se tornando nos dias atuais, como regra, enquanto àqueles que cumprem fielmente, são considerados estrangeiros, na gíria popular. Estamos tão desregrados em matéria de trânsito, notamos no dia-a-dia motoristas se comportando como se o fato de um pedestre atravessar o sinal fechado lhes desse o direito de atropelá-lo, quando não aceleram seus possantes carros, como fossem atirar para matar e ferir. Viajar pelas estradas, também é um risco, porque além de plenamente lotada de veículos e caminhões, existe a má conservação das mesmas, cumulado com manobras arriscadas em todos os locais das estradas, pelos motoristas, sem observar a devida sinalização, pois tiram sua primeira habilitação com a carga horária mínima de horas, que contribui em muito para as tragédias no trânsito. Como diz João Ubaldo Ribeiro, revista Veja nº 2333, p.112: “Todo trânsito brasileiro é uma escândalo, nas cidades e nas estradas”.  
Artigo publicado no Jornal Folha Regional de Cianorte edição 25-26 de agosto de 2013.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

SIMPLICIDADE DA FELICIDADE


Vivemos num mundo totalmente voltado para fórmulas, senhas, protocolos, padrões, um controle social sem medida. Tornou-se o homem, um modesto ser subserviente, dominado por suas próprias tecnologias, deixando transcender a simplicidade da vida, quase se esquecendo de que é humano, carente, de carne e osso, capaz de amar, sorrir, pensar, sofrer, coisas de gente, enfim, infinidade de ações impensáveis, impossíveis de serem programadas. Também estabelece a sociedade padrões de comportamento que tentam conduzir a felicidade, e do contrário, resulta em tristezas, amarguras, perdas, sem nenhuma sinalização de felicidade. Algumas pesquisas, indicam que a felicidade é prazer, em poucos instantes da vida. Afastamos as experiências, pesquisas, e equívocos, partindo do pressuposto que a vida e o viver, já é um marco de felicidade. É bem verdade que o dia-a-dia de qualquer ser humano, não é fácil, pois submetido a controles intensos, não resta sequer tempo para dimensionar o que é ter felicidade. Felicidade, também não é ação mágica da vida e do tempo. Melhor sentido, é aquele que os estudiosos da área, em intensas pesquisas, chegaram ao resultado que o “homem é geneticamente programado para ser feliz”.  Veja que tal situação, passa pela observação da alegria das crianças, que não sabem reconhecer os motivos para sofrimento e tristeza, pois em todos os locais que estão, independentemente de classe social, país ou religião, têm dentro de si a magia infantil de criar intensa alegria, onde o adulto não tem a percepção de existir ou imaginar. Se nascemos para ser felizes, o que nos torna infelizes é a própria existência com a cumulatividade de sofrimentos, armazenados em nossa mente e alma. No decorrer da vida, mesmo sabendo que o viver é um milagre, não olhamos para dentro de nós, fazendo um exame de nossas ações, exceto em poucas ocasiões. Às vezes tornamos inimigos de nós mesmos, por falta de atentar pela simplicidade da felicidade, acabamos por destruir sua perspectiva ou sequer existência, gerando sofrimentos e tristezas. Por ser a felicidade muito simples, o ser humano tem dificuldade e resistência de sua própria felicidade, permanecendo sempre preocupado com a carga negativa que a vida eventualmente vem a trazer pelos ciclos do tempo. Às vezes as pessoas se tornam infelizes, por sua própria atitude e/ou ação, deixando-se contaminar pela síndrome social da comparação e da inveja, querendo ser sempre o primeiro, em tudo em todos os lugares, não se contentando com a medalha de bronze, querendo a medalha de ouro sempre, onde instala o sentimento de infelicidade, situações possíveis de serem evitadas.  Existem situações inevitáveis que são: nascer, envelhecer, adoecer e morrer, que é o ciclo da vida, que devemos conviver.  A simplicidade da felicidade reside simplesmente na observação da vivência de uma criança, que carrega em si mesmo “a magia natural de descobrir em todos os momentos as alegrias da vida”, em qualquer local ou situação,  livre e com liberdade. Como escreveu Mario Quintana: “A felicidade é um sentimento simples; você pode encontrá-la e deixá-la ir embora, por não perceber a sua simplicidade”.
Artigo publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte edição de 18-19 de agosto de 2013".

           

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

ADEUS AOS SEGREDOS E INTIMIDADES...


As facilidades das comunicações virtuais sejam via computador, telefone, pelas redes sociais, e outros acessórios, como programas como Facebook, Twitter, entre outros, têm tomado conta de nossas vidas, ainda que de forma inconsciente. Ao acessar inúmeros programas virtuais, estamos acessando a uma infinidade  de redes de comunicação, espalhado mundo afora. A internet está cheia de pequenas mãos com o polegar para cima.  São os “likes” – “curtir” ou “recomendar” – do Facebook, mais usual entre a população usuária de internet. Quando o usuário adentra ao Facebook, clicando ícones, demonstra apreciação ou aprovação. Essa informação é recebida por amigos, pelos proprietários da página, pelo próprio Facebook, pelos anunciantes, seguidores, passando a ser informação pública e compartilha de “n” usuários.  Se você “curte” um determinado produto, todos sabem que você gostou daquele perfume, carro, roupa, filmes, entre outros gostos, entre inúmeras opções de mercadorias e produtos ofertados, além da exibição de produtos compartilhados por amigos. Aderindo ao “curtiu”, é possível deduzir suas preferências amorosas, sexuais, QI, entre outras informações, que um programa estatístico é capaz de desenvolver, como ocorre nos Estados Unidos, onde cientistas utilizaram o Facebook, com questionários e descobriram inúmeras informações que não poderiam obter de forma simples. Existem programas decodificados que após o questionário respondido já têm informações sobre assuntos particulares (perfil), como consumo de drogas e álcool, religião política, preferenciais sexuais, fidelidade conjugal, vida familiar, renda econômica, características psicológicas, enfim, infinidades de dados, que possivelmente não se obteria de um cidadão em uma bateria de perguntas feitas de forma física (frente a frente). É óbvio que as pesquisas foram realizadas nos Estados Unidos, possivelmente, talvez não tenha ainda ocorrido no Brasil. Certamente, aqui não vai funcionar, porque o brasileiro, é desconfiado e se tiver que responder questionários, certamente vai utilizar o jeitinho brasileiro, não vai entregar suas intimidades e segredos, nem vai falar a verdade sobre seus “ganhos, preferência sexual, política e religião, paixões e amores, infidelidades conjugal, trapaças, negociatas, corrupções em licitações, tática políticas de manobras, guardados em segredo a sete chaves”. Especialistas na área de comunicação e diversos profissionais da área humana, em poucos gestos, palavras e olhares, conseguem capturar quantidade de informações que deixamos escapar involuntariamente que consideramos “segredos e intimidades guardados a sete chaves”. No descuido de pequenos atos, deixamos um rastro enorme de informações digitais, que podem ser a fonte de descobertas de pensamentos e características pessoais, segundo programas conduzidos pela Agência Nacional de Segurança NSA dos Estados Unidos. Portanto diante dos sistemas, técnicas, programas monitorados pela NSA, segundo revelações de Edward Snowden, adeus aos segredos, porque estamos sendo monitorados pelo imperialismo digital do Tio Sam, que pelo que consta “despreza a privacidade, a intimidade das pessoas, a liberdade individual e o direito ao segredo íntimo”. 
Artigo publicado na Folha Regional de Cianorte edição de 11-12 de agosto de 2013.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

DESPEDIDAS

Despedir sempre é doloroso.
Cada dia, cada instante, se torna momentos de despedidas, por muitas situações, coisas e pessoas...
Algumas pessoas nunca mais veremos...? Permanecerá a saudade, a lembrança,  sempre...
Ainda que o tempo seja nosso carrasco, nosso limite,  sempre seremos agradecidos por aquilo que ainda possamos fazer, enquanto existir tempo.
A cada despedida, fica a saudade, a esperança de voltar a se despedir, porque vamos nos encontrar novamente, se o tempo deixar...
Tem despedida, que se torna como a água da chuva,  quando cai e escorre pela terra, nunca mais acontece... Só existiu uma unica vez, inesquecível...
Tem despedida que fica na mente, uma recordação eterna, uma sensação, que nunca mais será sentida. É despedida para sempre, fica o memorial somente?
Enquanto temos vida, certamente não vai faltar momentos de despedidas, partidas, encontros, reencontros, beijos, abraços, esperanças, lágrimas, alegrias, tristezas...
Enquanto tivermos vida e tempo, certamente teremos oportunidades de despedidas, e em cada despedida vivida, vivenciar plenamente as circunstâncias do momento.
Agosto/2013.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A RUA É DAS PESSOAS E NÃO DOS CARROS...


 

Dia 22 de setembro é o Dia mundial sem carros. Trata-se de um movimento que começou em algumas cidades da Europa nos últimos anos do século 20, e desde então vem se espalhando pelo mundo, ganhando a cada edição mais adesões nos cinco continentes. É uma reflexão para todos que utilizam carro, pensar nos problemas causados pelo uso massivo de automóveis como forma de deslocamento, sobretudo nos grandes centros urbanos. Por que não testar usar meios de transporte sustentáveis - entre os quais a bicicleta, dar carona para amigos de trabalho, usar transporte público ou preferir ir a pé.  Em nossa cidade, já sentimos o excesso de carros em vias públicas, principalmente nas ruas centrais e cruzamentos, onde as pessoas se sentem inseguras para atravessar as ruas, mesmo nas faixas, pois, tem-se notado que muitos condutores de carros, ignoram os pedestres. São muitos os problemas causados pelo uso de automóveis, uma vez que eliminam uma quantidade de CO2 na atmosfera: poluição atmosférica, efeito estufa, poluição sonora, congestionamentos, doenças respiratórias, sedentarismo, irritabilidade, perda de tempo, consumo de combustíveis fósseis, acidentes, comprometimento de grande parte da renda das pessoas. Outro problema grave, é que o carro gera engarrafamentos nas cidades, deixa a rua mais feia e a vida nas cidades um verdadeiro caos, caso típico de nossa cidade, em alguns horários de grande movimentação.  A China é atualmente onde se compra mais carro, e no Brasil a indústria ainda é o motor de uma economia que, por enquanto, mantém um índice de desemprego relativamente baixo, enquanto nos EUA, Detroit, a cidade do carro, entrou em concordata. Nos países desenvolvidos, a cultura do carro não tem prevalecido, entre a população jovem, que perderam o interesse em apreender a dirigir, tendência que preocupa a indústria de automóveis. Atualmente no Brasil, o carro é o vilão, pois além de não se poder dirigir sem a devida carteira de habilitação, está cada dia mais difícil se locomover pelas ruas das cidades e das rodovias, pois tudo está congestionado. Nas ruas das cidades, não se encontram locais para guardar os carros. O carro tem um custo enorme: impostos, inspeção anual, seguro contra roubo, enchente, terceiros. Oferece risco a terceiros em caso de acidente, polui, na imprudência desgraça a vida de alguém, com pessoas e com seus familiares. Precisa de constantes consertos e para andar, combustível, água no radiador e mais gastos...O carro que um dia foi o sonho de liberdade das pessoas, agora é um transtorno constante. Agride as pessoas e polui o meio ambiente. Já existe um movimento em São Paulo denominado “Viver em SP Sem Carro”, que já tem 50 mil seguidores no facebook. Ainda existe tempo para o Brasil, que antigamente tinha uma malha ferroviária considerável, seguindo os padrões internacionais, optar pelas pessoas e desconsiderar a população de carros, transformando os estacionamentos na via pública em aumentos de calçadas, ciclovias e faixas exclusivas para transporte coletivo, ou em jardins, humanizando os espaços públicos, criando mobilidade às pessoas.
Artigo publicado na Folha Regional de Cianorte edição de 04 e 05 de agosto de 2013.

AFINAL DE CONTAS A VIDA É REAL E NÃO VIRTUAL...

Augusto Cury, em sua obra I ntoxicação Digital, ed. Benvirá, 2a edição, 2024, p.135, escreveu: [...] A vida é dramaticamente curta para se v...