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domingo, 5 de fevereiro de 2012

SOCIEDADE DE MEDIDAS

Vivemos presentemente em sociedades de controle dinâmico e contínuo, tanto dos poderes instalados, como também de diversos sistemas que integram a sociedade. Existem medidas para compra de bens e serviços, devidamente regularizados por um ente legal. Adquirimos combustíveis com confiança de que estamos adquirindo efetivamente aquela quantidade que mostra no visor da bomba; o taxímetro marca o valor correto a ser pago; adquirimos mercadorias por quilo, litragem, numeração...; trabalhamos e recebemos pela medida do trabalho realizado; ao contrário não é razoável dizer que recebemos em troca os serviços públicos de relativa qualidade  em razão dos impostos recolhidos. Somos governados por uma sociedade de medidas. Existem medidas para controlar nossa vida no trânsito, no domicílio, no uso de serviços mais simples da vida (água, luz, esgoto, telefone...). Somos também medidos e contabilizados em peso, tamanho, cor e sexo... infinidade de dados pessoais são levados em conta na sociedade. Também, em razão do descumprimento de regras e medidas, somos punidos.  Talvez por todas estas situações e pela crescente fraude nesses serviços e em outros setores da vida social, reiteradamente denunciado pela mídia, tenhamos uma sociedade de desconfiança.  Existe permanentemente entidades e poderes e também indivíduos, prestem conta, uns aos outros,  com precisão,  para que haja uma paz social permanente.  A sociedade, embora organizada, não chegou ainda ao limite de praticar a desobediência civil aos poderes instituídos, quando estes superam a sobrecarga de poder, extrapolando suas funções. Tudo é regulado na sociedade, tanto por medidas, tomando-se esta na dimensão de leis e regulamentos, ainda, regimentos internos de determinadas organizações, e infinidade de  procedimentos neste sentido, afim de se evitar o caos e manter a paz permanente da sociedade.  Na venda de bens e serviços sob medida, instituídos por lei, procura-se com esse procedimento, ganhar tempo, rentabilidade e custo, pois se fossemos medir e pesar todos os bens e serviços que consumimos, é bem provável que a vida se resumiria a uma conferência eterna, o que geraria mais ainda conflitos. Em face do desenvolvimento da sociedade,  nem sequer escapou também o indivíduo (ser humano) de ser  medido e avaliado, talvez até por uma questão de mercado, não sendo respeitado a sua singularidade, passando a ser tratado meramente como objeto, com um número a mais na estatística, ou pela simples aparência, num ato sutil de desconsideração da personalidade. Atualmente e será crescente em nossa sociedade, que bens e  pessoas sejam cada vez mais avaliados, medidos, aferidos, comparados, estabelecendo um excesso de controle, punição, contudo,  ainda não se inventou a medida e a fórmula para amar, pensar, praticar gentilezas, perdoar e ser feliz... continuamos insatisfeitos, ansiosos,  frustrados, infelizmente. 

Matéria publicada no Jornal "Folha Regional de Cianorte" edição 539, domingo 05 de fevereiro de 2012. 

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Augusto Cury, em sua obra I ntoxicação Digital, ed. Benvirá, 2a edição, 2024, p.135, escreveu: [...] A vida é dramaticamente curta para se v...