Vivemos num mundo totalmente voltado para fórmulas, senhas, protocolos,
padrões, um controle social sem medida. Tornou-se o homem, um modesto ser subserviente,
dominado por suas próprias tecnologias, deixando transcender a simplicidade da
vida, quase se esquecendo de que é humano, carente, de carne e osso, capaz de
amar, sorrir, pensar, sofrer, coisas de gente, enfim, infinidade de ações
impensáveis, impossíveis de serem programadas. Também estabelece a sociedade
padrões de comportamento que tentam conduzir a felicidade, e do contrário,
resulta em tristezas, amarguras, perdas, sem nenhuma sinalização de felicidade.
Algumas pesquisas, indicam que a felicidade é prazer, em poucos instantes da
vida. Afastamos as experiências, pesquisas, e equívocos, partindo do
pressuposto que a vida e o viver, já é um marco de felicidade. É bem verdade
que o dia-a-dia de qualquer ser humano, não é fácil, pois submetido a controles
intensos, não resta sequer tempo para dimensionar o que é ter felicidade.
Felicidade, também não é ação mágica da vida e do tempo. Melhor sentido, é
aquele que os estudiosos da área, em intensas pesquisas, chegaram ao resultado
que o “homem é geneticamente programado para ser feliz”. Veja que tal situação, passa pela observação
da alegria das crianças, que não sabem reconhecer os motivos para sofrimento e
tristeza, pois em todos os locais que estão, independentemente de classe
social, país ou religião, têm dentro de si a magia infantil de criar intensa
alegria, onde o adulto não tem a percepção de existir ou imaginar. Se nascemos
para ser felizes, o que nos torna infelizes é a própria existência com a
cumulatividade de sofrimentos, armazenados em nossa mente e alma. No decorrer
da vida, mesmo sabendo que o viver é um milagre, não olhamos para dentro de nós,
fazendo um exame de nossas ações, exceto em poucas ocasiões. Às vezes tornamos
inimigos de nós mesmos, por falta de atentar pela simplicidade da felicidade,
acabamos por destruir sua perspectiva ou sequer existência, gerando sofrimentos
e tristezas. Por ser a felicidade muito simples, o ser humano tem dificuldade e
resistência de sua própria felicidade, permanecendo sempre preocupado com a carga
negativa que a vida eventualmente vem a trazer pelos ciclos do tempo. Às vezes
as pessoas se tornam infelizes, por sua própria atitude e/ou ação, deixando-se
contaminar pela síndrome social da comparação e da inveja, querendo ser sempre
o primeiro, em tudo em todos os lugares, não se contentando com a medalha de
bronze, querendo a medalha de ouro sempre, onde instala o sentimento de
infelicidade, situações possíveis de serem evitadas. Existem situações inevitáveis que são:
nascer, envelhecer, adoecer e morrer, que é o ciclo da vida, que devemos
conviver. A simplicidade da felicidade
reside simplesmente na observação da vivência de uma criança, que carrega em si
mesmo “a magia natural de descobrir em todos os momentos as alegrias da vida”,
em qualquer local ou situação, livre e
com liberdade. Como escreveu Mario Quintana: “A felicidade é um
sentimento simples; você pode encontrá-la e deixá-la ir embora, por não
perceber a sua simplicidade”.
Artigo publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte edição de 18-19 de agosto de 2013".
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