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segunda-feira, 8 de abril de 2013

PEDESTRES & VEÍCULOS



Vivemos, hoje, um clima de guerra no trânsito. Existe uma guerra declarada entre pedestres e veículos. Em nossa cidade é fato real, assim como também nas maiorias das cidades do Paraná e do Brasil. A mobilização da sociedade para humanização das cidades, é de grande relevância, principalmente para tomar medidas para prevenir acidentes de trânsito. Em todo mundo, existe também este conflito entre pessoas e veículos. Pior, quem padece sempre é o ser humano frente à máquina, construída pelas nossas próprias mãos. Prevê a Organização Mundial da Saúde, que até 2020 dois milhões de pessoas deverão perder a vida por conta da violência no trânsito. A ONU institui a Década de Ação Pela Segurança no Trânsito (2011-2020), campanha lançada em 11 de maio de 2011. Onze de maio será um marco na história mundial pela valorização da vida. Nossas cidades, infelizmente, estão se tornando cada dia, cidades para automóveis. No Brasil, cada dia mais aumenta o número de carros nas ruas, por conta da política industrial, incentivo governamental, com redução de impostos, falta de investimentos em transporte público, uma sedução para adquirir veículos. Quando pensamos na mobilidade nos reportamos imediatamente à utilização de veículos, principalmente o individual. Temos que ter em mente que as cidades têm que ter uma política de trânsito voltada para preservação da vida, isso somente será possível quando o ser humano estiver no centro das preocupações de políticas públicas efetivas de um desenvolvimento que prioriza de fato os interesses humanos, em detrimento dos interesses políticos e econômicos. É essencial que a cidade e as políticas públicas e privadas desenvolvidas, além de preservar vidas, mantêm a qualidade  e o bem estar das pessoas que nelas habitam, principalmente, quanto a mobilidade  (liberdade de ir e vir). O desenvolvimento de uma cultura da paz surge da mediação pacífica dos conflitos, e no caso do trânsito, é fundamental a priorização da proteção dos pedestres em detrimento dos veículos. A convivência harmoniosa, que se estende à coletividade é o primeiro passo para a construção dessa cultura, inclusive com as pessoas desconhecidas com a qual deparamos nas ruas das cidades. Deve-se desenvolver programas de proteção efetiva, para dar  preferência ao pedestre, contribuir para a sua segurança e conscientizar os motoristas da sua responsabilidade para a prevenção e redução dos acidentes e, portanto, para a preservação de vidas. Projetos simples de conscientização poderão dar certo, como já vem ocorrendo em vários locais do Brasil e devem ser desenvolvidos outros, afim de educar o cidadão para ser usuário do trânsito. Por exemplo, em Teresina foi lançado em 2012, o projeto Sinal de Vida, que consiste na instituição do sinal de mão antes da travessia na faixa de pedestre, quando não possuí semáforo, objetivando a regulamentação formal desse procedimento.  A educação para o trânsito deve ser desenvolvida e levada a todos, inclusive, relevando que o “pedestre é o elemento mais importante do trânsito, pois antes de sermos motoristas, todos somos pedestres”. Existe uma melhora considerável, porque, “anos atrás”, era absurdo os “pedestres, antes de atravessarem a rua, fossem obrigados a dar passagem para os carros”. Tal fato foi revertido com o Código de Trânsito de 1997, capítulo IV, artigos 68 a 71, conferindo ampla proteção aos pedestres. “Dê preferência à vida”, essa é ideia mais consistente para  “preservar vidas”, pois seremos todos vencedores, principalmente, pela reflexão, sensibilidade e responsabilidade no ambiente de trânsito de veículos e pessoas.   
Artigo publicado na Folha Regional de Cianorte - edição 664 - 07 e 08 de abril de 2013.      

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