A ética, a democracia, os direitos humanos e a inclusão social são temas que se inserem como alvo de preocupação social das ações coletivas do Estado, da sociedade civil e da família. Talvez no limiar do século XXI, muitas famílias têm deixado seus filhos sem total educação (carentes) pela necessidade da sobrevivência. Àquela educação de berço na convivência familiar, com parentes, vizinhos e amigos, a criança recebe ensinamentos de civilidade, como pedir desculpas, licença, agradecimentos, obrigados, cordialidade, enfim, ações e gestos que engrandecem o ser humano e leva a ter uma vida social munida de bons princípios e de gentilezas. A família atual, talvez pelo agito da vida moderna ou questão de sobrevivência, deixa muito a desejar na educação transferindo os cuidados para a escola, pois esse é o mundo que ingressará em tenra idade. Nesse contexto, pela falta de uma educação de berço (obviamente existem exceções) - crianças vão passar a freqüentar escolas, neste espaço educativo, passarão a uma outra convivência, onde além do ensino secular, os educadores, para poder ensinar, fatalmente deverão ensinar regras de boas maneiras e civilidade, aumentando a carga de trabalho desses profissionais. Como pregava o filósofo grego Sócrates (469-399 a.C) “virtude o mais valioso dos bens”, porém deve ser ensinado às pessoas para conduzir a própria vida. A criança nos dias atuais vai para a escola já com no mínimo com mais de cinco mil horas de televisão, o que influencia seus valores e pensamentos, na chamada “primeira infância”, revelando nesta situação a responsabilidade dos profissionais da mídia sobre os infantes, que também deve ser preocupação da sociedade. No ensino da ética e da cidadania, recai o ônus sobre o docente escolar, contudo, existe paralelamente a este corpo docente não-escolar, já fazendo parte da vida da criança, às horas de televisão e outras mídias eletrônicas como rádio, cinema, computador, internet entre outras, que levam a informação de temas de erotização precoce, consumismo desvairado, competição e não cooperação, individualismo frenético, violência, etc. Portanto, o ensinamento de ética, cidadania e outros valores da sociedade, pela escola, via educadores, deverá ser efetiva e constante, acrescentado no currículo escolar; uma preocupação que deverá ultrapassar as paredes da escola, discutida pela sociedade, com aproximação da escola com a vida cotidiana das pessoas, o que permitirá que a educação signifique papel de transformação das pessoas e da sociedade, além da própria comunidade escolar. Talvez muitas escolas já sentido a necessidade deste aprendizado, estão inserindo em seus currículos, ensinamentos de ética e cidadania, sabendo que é um ganho à mais na formação escolar. Ensinar ética e cidadania talvez seja um dos objetivos (compromisso recorrente) que deva ser levado em conta na formação escolar fundamental para as crianças e jovens, objetivando a transformação de pessoas e grupos (não que seja a única alternativa), afastando os efeitos nefastos da realidade atual. Afinal, ordem é progresso, está na bandeira do Brasil, como compromisso nacional.
Artigo publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte, edição 543" de 04 de março de 2012.
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