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segunda-feira, 23 de abril de 2012

ÉTICA PÚBLICA


Não é só no Brasil que existe corrupção. Infelizmente esse vírus está espalhado pelo mundo, principalmente, onde existe o exercício do poder, propriamente dito e do poder político. Fatos recentes informam que o Presidente da Alemanha, não esperou a conclusão do processo sobre tráfico de influência e renunciou. O rei Juan Carlos da Espanha, não esperou conclusões sobre o mal uso de recursos públicos por seu genro, afasto-o da família real. No Brasil, a Presidenta Dilma, não esperou apurar denúncias contra ministros, aplicou a pena de demissão. Evidentemente não se espera de forma alguma uma transparência de 100%, pois isso é uma utopia, hipocrisia e um falso moralismo.  Há muitos séculos o homem convive com corrupção, traição, crimes, escândalos, jamais desaparecendo nas relações sociais.  Não obstante a isso, temos sempre a esperança (não se deve desesperar) que sempre haverá mudança, alterando o poder, afastando-se a corrupção e o jogo político de interesses, e no Brasil a aplicação da Ficha Limpa. Não se pode perder de vista, que a ética ( na vida pública, na economia ou na vida pessoal)  é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. Deve ser aplicada na vida pessoal e pública, e demais relações sociais, nunca, entretanto, devemos se conformar com a impunidade, leniência, conivência ou cumplicidade com desvios e transgressões ética, nem com a impunidade, tão frequente em nossa nação. No Brasil, nos dias atuais,  os cidadãos  têm notado o esforço da sociedade civil, além dos  poderes constituídos,  para impor  transparência, forçando a aprovação de Códigos de Condutas e também para efeito eleitoral a Lei de Ficha Limpa,  apesar de existir, além dos controles próprios de cada administração pública (interno) , o controle externo feito pelo Tribunal de Contas, com previsão constitucional (artigos 70 a  75).  A ética pública está aí presente, combatendo e exigindo dos poderes constituídos, controle e punição. A democracia, embora apregoa liberdade, é um regime que exige obrigações recíprocas. Exige-se respeito de uns para com outros, exercício de poder com princípios éticos, gerando confiança da boa governança da  “coisa pública”, com valores de integridade, moralidade e no mínimo decoro,  necessários para lastrear o respeito e confiança dos cidadãos,  enriquecendo e assegurando o bom convívio social. A ética pública brasileira, é prevista no artigo 37 da Constituição: “A administração pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade (transparência) e eficiência...”.  A boa administração pública, com ética, consiste na promoção incansável da prosperidade, justiça, paz e liberdade que todos aspiramos para um Brasil melhor, digno de legarmos aos nossos filhos e netos.

Matéria publicada no Jornal "Folha Regional de Cianorte", dia 22 de abril de 2012. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

LÍDER E PODER


Estamos quase chegando a meados de 2012, ano de eleições municipais em todo o Brasil. O eleitor e o cidadão brasileiro, fica preocupado com a atual crise de liderança política existente no Brasil, aumentada recentemente pela perda da confiabilidade (candidato-eleições-política). Começou com a crise instalada no Governo Collor, onde a corrupção aflorou de maneira aberta. Assim sucessivamente de lá para cá, muitos casos foram descobertos na política brasileira, onde foram instaladas CPIs, em todas as esferas de poder (federal, estadual e municipal). É quase impossível no dia-a-dia não aparecer notícias sobre corrupção, envolvendo líder político e poder, agentes públicos e autoridades, em todos os níveis. Recentemente a nação sofreu o impacto no noticiário do Senador Demóstenes de Goiás, ligado às operações de Carlinhos Cachoeira. É óbvio que este parlamentar foi eleito o “pivô dos fatos”, contudo, existem “n” pessoas envolvidas neste sistema, inclusive, exercendo mandato político, além de agentes públicos e autoridades, pois a corrupção é uma rede de interesses. Impossível por certo alguma CPI nesse sentido, é evidente o envolvimento de muita gente, autoridades e parlamentares. A corrupção de fato está diretamente ligada ao líder e ao poder. O que se tem perdido de vista principalmente no cenário político nacional, é que o cidadão eleito, líder e detentor de poder, perdeu a noção do bem comum. O  que se retira do contexto do exercício do poder político, é que o líder (detentor de mandato), com ressalvas, tem utilizado do poder para proveito pessoal, negando a utilidade do mandato para promover o bem comum. Uma das finalidades do poder e o exercício da liderança política, salvo engano, é servir à comunidade, a população, ao cidadão, enfim, a todos, sem reservas. Exercendo o mandato, o líder político deve trabalhar para o bem de todos,  máxima do poder e do líder, retirando-se a filiação partidária ou interesses pessoais, grupos ou “compadrio”. Perdeu-se a integridade, a lisura, a ética, à disposição de luta pelos interesses do cidadão e da sociedade. É lógico que existem exceções, nem tudo está perdido, contudo, não se deve perder de vista que  “a finalidade do poder não é servir a si próprio e sim servir a todos”.   

Publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte", edição de 15 de abril de 2012.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

ALÉM DO ÓBVIO


Somos tão racionais, que, quando olhamos ao nosso redor às pessoas, os objetos, não conseguimos ver além das aparências, superficialmente. Nossas relações no dia-a-dia, também não vão além das aparências. Nosso amor, também não vai além disso, claro...esperanças, presente, futuro... Tudo isso porque estamos sempre de passagem, com pressa, sequer atentamos para a simplicidade das coisas. Queremos e tentamos enxergar somente aquilo que nos preenche, o óbvio. Demais situações e coisas, aparecem distante, talvez a conexação seja hoje a fórmula mais atraente de relacionarmos, pois não temos compromisso, pronto “click”. Cada dia mais, nossos relacionamentos, estão virtuais – “ligue e desligue” (além de termos em língua estrangeira nos aparelhos eletrônicos “on” “off”, assim por diante) ou “conectar ou desconectar”. É a ordem atual, depois, ficamos sozinhos, sem ninguém, na frieza do nosso tão esperado bem estar. Ao pensarmos em segurança, estamos assediados de medos; pensar em amar, mesmo que seja o próximo (vizinho, amigo, colega), resta as complicações, não temos tempo para o problema dos outros, conquanto estamos numa comunidade. Estamos descompromissados com nosso ser e os demais, queremos liberdade, sem limites. Não existe nenhuma obrigação legal de atentar aos próximos, mas é uma questão humanitária, ética, pois não podemos viver no individualismo exacerbado, conquanto o sistema promove situações para tal finalidade, esparramando e alarmando o medo,  a insegurança e falta de espectativa do amanhã.  O homem não foi criado para viver só, como ermitão, em desertos. Talvez em pequena escala existem situações que os humanos, optam por viver nesta situação, opção religiosa e pessoal, mas a regra é a convivência, a solidariedade, a sociabilidade. Temos que aprender a enxergar além do óbvio, da aparência, da superficialidade, valorizando aquilo que nos rodeia, que necessitamos para viver, conviver, amar, ter fé, esperança,... ainda que por instante sequer. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

DEPUTADO ROMÁRIO


O deputado federal Romário (PSB-RJ) parece ter comprado uma briga com parte dos colegas. Em entrevista a Renata Bett, publicada nas páginas amarelas de VEJA (edição 2261 -  21 de março de 2012), o  ex-artilheiro criticou o funcionamento da Câmara.  Para ele, a maioria dos deputados não estão dispostos a pegar no batente, e disse “...eles não querem saber de nada”. A carapuça serviu. Indignados, alguns parlamentares  protestaram na Tribuna, inclusive se tem notícia de andamento de um movimento para que Romário faça a retratação. Romário, enquanto jogador de futebol sabia que na regra normal do jogo (90 minutos, prorrogação), existem jogadores, árbitro, bandeiras, reservas, técnicos, enfim, uma comunidade presente no espetáculo, portanto, jogava dentro de regras conhecidas e transparentes.  Embora no futebol, existem picaretas e pilantragem, é evidente que a crítica feita de forma genérica, para o Congresso, ainda que de forma franca, incomoda muita gente, muito mais, quando afirmou na entrevista “... De fora, todo mundo acha que lá no alto está a nata da nata, mas isso é balela. O que mais tem no andar de cima é gente que não se coça para nada, quando não sai por aí se metendo em pilantragem” (Revista Veja p. 18).   Denota-se que nosso atleta, está indignado com o ambiente parlamentar. Não obstante a exceção, existem parlamentares que efetivamente dedicam ao seu trabalho, estão preocupados com temas nacionais, portanto, talvez a crítica do Baixinho foi generalizada, ou seja, excesso de franqueza, podemos assim considerar. Todavia, o teor da entrevista, sobre o Congresso Nacional, deixa o eleitor preocupado, mais ainda o cidadão, esperando que naquele local se debatam temas nacionais relevantes para o país, para a população. No entanto, o que se tem notícia,  pela entrevista de Romário,  é que não existem debates com raciocínio, capaz de transformar ideias em projetos efetivos, que possam melhorar a vida da população brasileira. Ainda, pode-se dizer e relevar a coragem tida pelo Deputado Romário de dizer a verdade, que é real, evidente. O debate atual no Congresso, gira em torno de Copa do Mundo, pois é o momento próprio, onde em várias obras, estão sendo injetados  recursos públicos (dinheiro do povo), estamos em 2012, em plenas eleições municipais, onde, além do dinheiro, está em jogo o poder político.  Deputado Romário, esperamos que suas idéias, pensamentos e denúncias, não passem despercebidas pelos demais parlamentares, não fiquem no esquecimento, que passem os parlamentares (que se sentiram ofendidos com a entrevista), no mínimo a se preocupar daqui  em diante,  em discutir e debater os direitos sociais garantidos pela Constituição, além de outros temas relevantes para a sociedade.  Também, que, questões sociais e temas relevantes, arguidos e prometidos em “discursos eleitorais”, sejam aviventados, não por força de manifestação popular, clamor público,  movimento liderado por entidades de classe e da sociedade civil organizada e sim pela própria iniciativa parlamentar, dando prova e a razão de ser representante do povo.  
Publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte", edição de 09 de abril de 2012.
(www.folharegionaldecianorte.com)


quarta-feira, 4 de abril de 2012

BELEZA NATURAL

Nada contra os profissionais da beleza, mas considero ideal a beleza natural. Pelos jornais e colunas sociais, mostra-se cada vez mais profissionais destinados a propiciar belezas “as pessoas e coisas”.  São muitos profissionais que se dedicam a esta atividade. É personal para cada tipo de situação, enfim, profissionalizaram também a beleza. Assim como ser político, antigamente era exercer “múnus público (vereador não tinha salário), agora, a beleza mesmo natural, precisa ser turbinada, para ser aceita, com direito a nota em coluna social, para ter validade. Além da virtualização da beleza, via internet, acompanhada de “acertos e truques fotográficos”, tudo se tornou artificial demais. Não sabemos mais se é beleza natural, produzida ou apenas um truque de mercado. Da beleza natural e simples, não só do sexo feminino, mas existe também o mercado para o sexo masculino. Cabelos brancos outrora significado de uma existência, tornou-se marco de desleixo, merecendo sempre um tonalizador ou uma pintura, ou até vergonhoso possuir, no mundo do de eternas inovações. Não queremos ser mais pessoas naturais, escondidas pela existência de anos de vivência. Nossas experiências, embora vividas, fruto de muitas noites sem dormir, trabalho árduo, cedem a pressões de inovações tecnológicas, acompanhadas daqueles bordões “você tem que se atualizar, se não você fica para trás”. Talvez seja verdade, mas no fundo, o tempo não mudou nenhum pouco, as horas continuam com 60 minutos, a vida não mudou, continua à mesma, e nós continuamos cada mais visivelmente doentes, buscando viver pela aparência,  cada dia mais exigindo um novo profissional para atender nossas necessidades.  

segunda-feira, 2 de abril de 2012

DIMENSÃO DA VIOLÊNCIA


Existe mais violência dentro da sociedade, que nossos olhares não conseguem observar. Existe a violência que consolida em crime, sendo uma da situação mais sentida e presenciada pela população. Existe no Brasil e em diversos países onde se trava luta por liberdade, ideologia, direitos políticos, enfim, por questões diversas. No caso da segurança pública, caso do Brasil, exige que o Estado, adote políticas públicas efetivas para proteger a população. Quando se fala em Estado, exige-se esforço da União, Estado e Município, para o devido controle, já que por ser um fenômeno social, impossível de se aniquilar completamente.  Quando o Estado está ausente (falta de atenção devida), como  caso típico da cidade do Rio de Janeiro (em certos locais como se tem noticiado),  aumenta a vulnerabilidade da população, pois ausente o Estado, é obvio que a rede de violência da criminalidade avança (tráfico de drogas, de armas, entre outros crimes em cadeia ligados estas situações), surgindo, no caso milícias, que em síntese prestam nestas comunidades uma pretensa segurança, em substituição do Estado, cobrando da população todos os serviços básicos que  necessitam. Todavia, não podemos esquecer que  violência é presente, real e nunca pode deixar de ser admitida no contexto atual. O que precisa ter cuidado, é forma como vem sendo dimensionada, pelos veículos de comunicação em geral, pois em horário de “pico” à cobertura real desses fatos sobrepõe e extrapola limites, um verdadeiro espetáculo, como se fosse a única notícia daquele veículo comunicador, levando à população a pensar e acreditar, que não temos nenhuma segurança,  tudo está perdido, é o caos, sem solução. Não é verdade, pois se assim fosse, toda a população do Rio de Janeiro (exemplo) teria se mudado daquele local, para outro local do Brasil ou exterior, onde a violência é considerada de menor índice. É fato que muita gente cultua a violência, tira proveito e lucro, além de obter poder, contudo, não é parâmetro para toda a população, não obstante estar sempre em confronto em condições de desemparo e insegurança. O que se deve ter em mente, que a violência é um fenômeno social e real, traz prejuízo social sem medida para a sociedade. Não é toda violência que se torna em crime, portanto, devemos procurar a cultura da paz, buscando solução para as causas e efeitos, revendo a educação dentro dos lares, passando pelas escolas, igrejas, ruas, instituições, percorrendo todas as camadas da sociedade. Toda a sociedade tem responsabilidade pela cultura da paz, iniciando por uma responsabilidade pessoal até atingir a coletividade.  O esforço comum, sem dúvida alguma, altera a realidade, alimenta a esperança numa ordem social feliz e segura. 

Publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte" dia 01 de abril de 2012.

segunda-feira, 26 de março de 2012

ÓBITO CULTURAL

Existem temas que vem sendo tratado de forma ideológica e preconceituosa  no Brasil, como o caso recente de notícias sobre uma ação pública promovida pelo MPF, discriminatório (Ministério Público Federal)  com a pretensão de  retirar do “Dicionário Houaiss”, o verbete “cigano”, por considerar pejorativo o significado  descrito no aludido dicionário. Quem faz um dicionário, não é um sujeito qualquer. O dicionário nada mais é que uma “listagem por ordem alfabética de palavras e expressões de uma língua de determinado grupo social”.  Não é o dicionário invenção de termos e dizeres, é a expressão das palavras retiradas do meio de um povo, pelo uso, pelo tempo, por décadas. Traz na maioria das vezes, o significado retirado da linguagem popular, dos costumes, dos lugares, enfim, retrata a linguagem do povo, que consolida a cultura. A título de argumentação apenas, se palavra  “cigano” no Dicionário Hoauiss traz constrangimento ao grupo social, muitas das palavras do dito popular que utilizamos no dia-a-dia, também poderão ser consideradas ofensivas. Hoje em dia,  por estarmos numa época tecnológica, não se usa mais a palavra  como “chofer”, que era motorista de automóvel, profissional usava até uniformes. “Charreteiro”, aquele cidadão que conduzia charrete (veículo de duas rodas, puxado por cavalo, utilizado por duas ou três pessoas). “Bóia-fria”, trabalhador rural, que levava seu alimento em marmita,  no local do trabalho fazia suas refeições sem qualquer aquecimento. ”Mascate” vendedor de objetos de “porta em porta”. Infinidades de palavras, fazem parte da nossa cultura que não se pode apagar do dicionário e nem da memória do povo. Temos muitas situações constatadas, inclusive no comércio, como  “Oficina do Japonês”, “Bar do Baiano”, “Padaria do Portuga”,  “Loja China”,  “Loja do Turco”, “Casa Catarinense” “Casa Gaúcha”, enfim, nomes que fazem parte da nossa tradição cultural. Não se pode sufocar a manifestação popular; continuar a direcionar a cultura, como retirar palavras do vernáculo pela força, como imposição legal. Algumas palavras caem em desuso, como seria o caso de cigano, todavia,  o dicionário é um repositório, um patrimônio cultural de ampla dimensão abrigando “palavras que passaram por gerações”.  O Brasil é reconhecidamente no contexto internacional, um país acolhedor de imigrantes, inclusive de ciganos. Graças a colaboração de destes povos, com trabalho, empenho e dedicação,  participaram do desenvolvimento do Brasil.  Muitos imigrantes fizeram desta nação sua terra natal, constituindo famílias, patrimônio e perpetuando gerações,  como é o caso do povo cigano. Em que pese às razões de cor, raça e etnia, não pode se pode apagar o passado de uma nação, levar a óbito, como se fosse natural, ao contrário, temos que manter vivo e aceso todas as vertentes culturais de uma nação e procurar sempre resgatar, jamais promover por qualquer meio e procedimento seu aniquilamento.  Como escreveu Lya Luft (Revista Veja de 14/3/2012, p. 22) “... vamos deletar as palavras que nos incomodam, os costumes que nos irritam, as pessoas que nos atrapalham e, quem sabe, iniciar uma campanha  de queima de livros. De autores, seria um segundo passo”.

Publicada no Jornal "Folha Regional de Cianorte " edição do dia 25 de março de 2012. 

AFINAL DE CONTAS A VIDA É REAL E NÃO VIRTUAL...

Augusto Cury, em sua obra I ntoxicação Digital, ed. Benvirá, 2a edição, 2024, p.135, escreveu: [...] A vida é dramaticamente curta para se v...