Quando tratamos as
pessoas como “campeões” em qualquer modalidade esportiva, temos em mente que
também na vida normal são exemplares e perfeitos. Nos últimos dias, não foi isso que aconteceu
com o campeão de fórmula “1” Michael Schumacher
e nem com Anderson Silva, lutador pelo
UFC com a imagem da “fratura na perna”, interrompendo a luta que valia a
recuperação do cinturão, em posse de Chris
Weidman. Na mente das pessoas os campeões de qualquer modalidade
esportiva, adquirem imunidade para a vida real, conquanto, são seres humanos e
gente, acima de tudo. Obviamente, tanto Schumacher e Anderson Silva, têm plena
consciência do risco que correm profissionalmente. No caso específico de Schumacher,
é tido por “campeão” porque já passou por outros acidentes em corridas,
superou-se, voltando à rotina normal das corridas. Certamente no caso de seu
acidente, fora dos circuitos, não atentou para o risco de seu comportamento
quando estava esquiando, talvez seria mais um ato normal de sua vida,
evidentemente, não teria risco algum as manobras que estava realizando na pista
de esqui nos Alpes Franceses, certamente vai sarar e voltar as atividades
normais da vida. Quanto a Anderson Silva, o fato da lesão em plena luta, embora
não programada, talvez foi uma saída honrosa, mesmo porque, não era o favorito,
e a mídia, mesmo ciente de que perderia a luta, ao invés de mirar no vencedor,
passou a noticiar esse lastimável acidente, o que de certa forma trouxe
benefícios a imagem de Anderson Silva, retirando da sua imagem a “figura de
perdedor”. Ninguém é perdedor antes do termino do jogo. Se o critério para ser
vencedor na vida, fosse a quantidade de vitórias e ser campeão, não haveria ser
vivente algum digno de ser campeão. A vida é feita de incertezas, marcadas pelo
tempo, não tem retorno o que se passou. Fraturas, lesões, acidentes, são comuns
nos esportes. Ninguém deseja que isso ocorra, nem nos treinos e nem nas provas
oficiais, mais existe o risco freqüente de acidentes, embora, haja um esquema respeitável
de segurança e limites previsibilidade, para cada esporte. Apesar dos
acidentes, Schumacher e Anderson Silva, não são ingênuos e nem incautos, certamente
conseguiram dar a volta por cima, retornando a vida normal, como muitos atletas
já superaram, não deixando se abater. Quanto ao futuro dos nominados campões,
Schumacher, provavelmente, voltará ao mundo do automobilismo. Anderson Silva, após atuações memoráveis, com
38 anos, depois dos devidos tratamentos para seu restabelecimento, evidencia-se
que passará ministrar palestras de superação, tornar-se garoto propaganda (já
que não foi considerado perdedor), líder religioso, embaixador de causas
sociais e até político, como foi o caso do tetracampeão mundial de boxe e
deputado federal, “Acelino “Popó” Freitas, afinal a qualidade de campeão, não confere imunidade para os riscos da vida real.
Artigo publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte" edição de 12-13 janeiro de 2014.