Estamos
vivendo a era do “click”, dessa forma
muitas vezes resolvemos situações que talvez demandasse um volume maior de
tempo. Por exemplo, pagamentos feitos
via internet, ir ao banco, usar o caixa eletrônico, compras pela
internet, trocas de correspondências via e-mail, variedades de situações que o
click resolve. Ganhamos tempo, mas
gastamos mais trabalho, para comprar e pagar a tecnologia. A demanda atual de
inúmeros afazeres, na maioria das situações exigem comportamentos “rápidos” “perfeitos”, impedindo nosso pensar e vivenciar
situações do tempo de forma serena e tranquila, levando-nos a uma situação
extrema de tensão e compulsão. Deixamos de vivenciar o tempo e comemorar
festivamente cada instante de tempo de nossa existência. Talvez por isso, a
nossa sociedade, cada vez mais está submetida a controles de perfeição, ainda
que de forma despercebida e inconsciente,
situações de um mínimo de exigência intelectual. Tudo deve ser rápido e
imediato, contrariando o ritual do tempo (horas, minutos, dias, meses e anos).
Consumimos produtos pela cor e cheiro, sem atentar a qualidade alimentar e o
bem estar ao nosso organismo. Assistimos programas de televisão que não exigem o mínimo de preparo
intelectual (esforço cognitivo), vendo situações que denigrem a personalidade
da pessoa humana, embora as pessoas que estão participando desses programas
estejam atrás de fama, sucesso e dinheiro. Imaginemos que antigamente a média
de vida da população era em torno de 50 anos. Hoje é em torno de 74 anos a média brasileira de
idade. Veja que esse processo de vida, não foi construído com um “click”, ao
contrário, ela foi um processo do tempo, onde se somou vários fatores entre
eles o tempo. Toda técnica é necessária
para nosso bem estar, o que falta aos seres humano é a forma de utilização. Não
se pode ser dominado pelas máquinas. É necessário e fundamental ensinar, pensar, porque a máquina é um
instrumento para o homem; ela não pode substituir o homem, como muitos querem
que isso aconteça. O ritual do tempo (horas, minutos, dias, meses e anos) são
elementos de marcação do tempo necessários para nossa vida. Não podemos resolver tudo precocemente com um
“click”. Necessário e útil a nossa convivência com as máquinas, mais útil e
necessário é estar atento ao tempo, controlando nosso raciocínio de não forma
programada, mas mantendo a liberdade de criatividade e experiências que demanda
tempo, com um juízo de exceção que seja relevante para nossa vida. Estamos na era da insatisfação, não sabemos
lidar com o tempo (de trabalho e existencial), pois quando conquistamos o
objeto desejado, em pouco instantes, talvez até segundos, estamos satisfeitos, saciados e habituados, contudo, não é o
esperado, passamos a conquista de nossos objetos de desejo, deixando de
cultivar sentimentos e alegrias. Desprezamos o tempo que é essencialmente um
bem livre, que não poderia sucumbir a nenhuma especulação econômica. No fundo, estamos cada vez mais empobrecidos
interiormente porque não sabemos lidar com o tempo, curtir nossas alegrias,
tristezas, emoções.
Publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte" dia 27 de janeiro de 2013.