[...]
"Com a exposição de um escândalo por
dia, de vampiros, gafanhotos, laranjas e fantasmas, com a propaganda
estimulando o sexo sem limites, com a ridícula liberdade para irrelevâncias,
temos o indivíduo absolutamente desamparado, sem rumo ético. Isso leva a um
narcisismo desabrido, que se torna um mecanismo de defesa. Diante do espetáculo
da violência, diante dos cadáveres da miséria, do cinismo corrupto, somos levados a
endurecer o coração, endurecer os olhos, para vencer na vida competitiva ou
seremos tirados "de linha" como um carro velho. E aí surge o
problema: Se não um Mal claro, como seremos bons? O Mal é sempre o
"outro". Nunca somos nós. ninguém diz, de fronte alta: "Eu sou o
mal". Ou: 'Muito prazer, Diabo de Oliveira...". (Arnaldo Jabor - Estamos todos na Avenida Brasil -
Caderno 2, Jornal O Estado de São Paulo, dia 1/5/2012, p. D8).
O texto transcrito parcialmente, de autoria de Arnaldo Jabor,
conforme fonte acima citada, merece reflexão, porque, embora chocante, no faz
pensar na realidade do Brasil, hoje. Hoje é que nos importa, porque o amanhã,
será a colheita de hoje. Veja que sempre temos a capacidade de atribuir o “mal”
para os outros, não assumimos culpa e responsabilidade. Se vamos votar, não atentamos as qualidades do candidato,
talvez até influenciado seja o nosso voto; depois, repassamos culpa ao eleito
mandatário, e esquecemos que a cidadania é todo dia, toda hora. Aí surge o “mal”
e mandamos o pau, sem saber a origem. Nem tudo é desespero, mas existe
esperança, e essa esperança está em nós mesmos, nas nossas atitudes pessoais de
resguardar valores humanos e éticos, na transmissão das experiências vividas
durante nossa existência, que fará um projeto para o futuro. “Construir o
futuro significa viver o presente” (Antoine de Saint-Exupéry). A vida é assim,
cheia de tempestades, mas a pausa virá, o sol virá. Não obstante nossa atual
realidade seja imprecisa, em face dos atuais fatos (política, desenvolvimento, governo, saúde, educação, emprego, futebol...), não é motivo para deixarmos
de viver a vida em sua plenitude e avançar mais nos pensamentos e ideias efetivamente
democráticas, alimentando uma esperança de um Brasil melhor, pois nem tudo é
Avenida Brasil, novela da TV Globo que estreiou recentemente, obra de ficção que assemelha-se a realidade do nosso país.
Visa o blog divulgar matérias sobre direito, política, vida e fatos, segundo o livre pensamento do autor do blog, e inserir no leitor provocações reflexivas, demandando o mesmo a pensar sobre o que foi escrito, os fatos descritos nos artigos, a realidade, tudo quanto se puder expressar através da escrita. Quando se fala em provocações, na verdade é dar um choque de realidade sobre o que se escreve, e levar as pessoas a refletirem sobre o conteúdo do escrito.
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quinta-feira, 3 de maio de 2012
domingo, 29 de abril de 2012
VOTO FACULTATIVO
Sempre se debateu no Brasil,
a trajetória do voto, ser obrigatório ou facultativo. Embora em nosso sistema seja
obrigatório, pela tradição que ocorreu com o Código Eleitoral de 1932 e pela
Constituição de 1988 (artigo 14, § 1º,
inciso I, para os maiores de 18 anos, havendo previsão dos facultativos no
inciso II). O voto facultativo merece amplo debate e discussão na atual
conjuntura política do Brasil. Saindo da questão de direito, se o voto é um
poder-dever ou é um direito, todavia, é fato notório que democracias de países
desenvolvidos optaram pelo voto facultativo, como é o exemplo da Comunidade
Britânica de outros continentes, além de Países da Europa ocidental. Na atual
conjuntura eleitoral no Brasil, o tema merece ser repensado, levando em conta,
que o voto voluntário ou facultativo, pode levar a uma melhor escolha de candidatos,
com efetiva participação consciente e motivada dos eleitores, querendo
mudanças. O voto obrigatório, leva o eleitor a comparecer às urnas, contra
vontade própria, tão somente para fugir às sanções previstas em lei, não exercendo a plenitude da cidadania,
votando talvez de forma inconsciente, naquele candidato que não conhece (fato
que estimula o trabalho na boca das urnas), ou votando pelo poder mobilizador
dos aliciadores, que o poder econômico
propicia; votar em branco, ou ainda, anular o seu voto. Tem-se constatado
ainda, que eleitores votam em branco ou anulam seu voto deliberadamente, como
protesto, ou por dificuldade de escolha de candidatos e partidos não têm
propostas, levando a elegerem cidadãos da mídia, como foi o caso de Tiririca
nas eleições de 2010, para deputado federal. Todavia, este deputado federal, quando pesquisado para candidato a prefeito de
São Paulo em fevereiro de 2012, conforme noticiado, não obteve respaldo para
tal disputa, desistindo da indicação. Denota-se que eleições municipais, são
mais preocupantes para o cidadão, influenciando diretamente nos seus interesses
pessoais (propriedade, emprego, comércio, renda, saúde, educação, segurança...),
assim exige do candidato a ser eleito
como prefeito e vereador, certa confiabilidade, pois interfere no seu futuro. O modo que cada pessoa vê o mundo na sua
particularidade e o contexto social atingem diretamente a disputa eleitoral. A formação da consciência política de nossa
população constituída por pessoas simples e honestas, porém sábias, poderão
avaliar as propostas de partidos e candidatos, acaso venha se estabelecer a lei
o voto facultativo, pois não é mantendo o voto obrigatório que poderemos
transformar a sociedade, pois se assim fosse o Brasil já teria resolvido seus
problemas sociais, com a obrigatoriedade do voto, como mecanismo de mudança
política. Ao contrário, o que tem-se verificado, nas nações onde o voto é
voluntário, os representantes têm melhor qualidade, a democracia revela-se
estável, distante de tumultos ameaçadores. O tema é polêmico, merece debate e
ampla discussão pela sociedade, para aperfeiçoamento dos ideais democráticos,
liberdade de discernimento e de agir.
Publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte" dia 29 de abril de 2012.
sábado, 28 de abril de 2012
"Sem educação não há salvação".
"Sem educação não há salvação". [...] A melhoria da educação, além dos visíveis impactos nos campos da cidadania e da democracia, é crucial para elevar a produtividade do trabalho e a competitividade das empresas e da economia como um todo. Para os trabalhadores, é essencial para elevação da renda e progresso na carreira.No mundo competitivo, sem educação não há salvação." (José Pastore - Caderno de Economia - Jornal o Estado de S. Paulo, dia 24/4/2012, p. B2). O texto publicado por José Pastore, nos leva a refletir o destino efetivo de nossa educação aqui no Brasil. Instalam-se benefícios e mais benefícios, mas esquecemos da qualidade de nossos alunos, o passado escolar e o futuro. Diplomas e mais diplomas, faculdades e mais faculdades, centro de educação, centros tecnológicos, etc, mas tudo vai depender da atitude pessoal do cidadão e sua disposição para o desenvolvimento. Todavia, não se pode negar o direito ao conhecimento, mas deve ser creditado principalmente a disposição pessoal de cada um. Nota-se que cada dia, menos jovens mantém interesse em frequentar os bancos escolares, assim propriamente dito. Desperdiça-se a fase produtiva e de conhecimento do jovem, despertando-se para outras áreas da vida, que, no ciclo do tempo certamente não terá um efeito positivo a si próprio e nem produtivo para a sociedade. Temos que achar uma fórmula para alterar o atual estado de ânimo do jovem para o conhecimento, despertá-los para a vida, pois atualmente a economia do Brasil está em bons ventos, mas poderá ocorrer o contrário, pois o futuro nos espero. Gostaríamos que sempre houvesse esse clima de "bons ventos econômicos", mas no mundo atual, tudo mudo rápido demais, não se pode perder chance, é o que os jovens estão fazendo, "perdendo chances". É óbvio que essa situação ocorre em uma margem menor, mas representa um prejuízo enorme ao nosso capital humano.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
AMOR PRÓPRIO
Como podemos amar as pessoas enquanto nós não amamos a si mesmos? Apegamos como fonte de conhecimento, um versículo bíblico: "...mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Levítico 19:18". Nenhuma dimensão do amor, poderá ser alcançado se aquele que pretende amar não está preparado? A superação dessa situação é relevante, para que possamos usufruir da plenitude que o amor pode proporcionar em toda a sua dimensão, seja como mulher, marido, namorado, companheiro/companheiro, enfim, num relacionamento compromissado de vida. Afinal, como possa doar aquilo que não possuo? Muitas das vezes somos carentes em todos os sentidos e não conseguimos no sentido mais adequado levar nossos sentimentos à frente e nenhuma ação que possamos desempenhar possa surtir efeitos, ou seja, na linguagem mais vulgar "negativos". Por isso, temos que procurar investir em nós mesmos (cuidando da nossa saúde, do nosso físico, da nossa mente, da nossa espiritualidade, enfim, tudo que nos fortalece), afim de estarmos fortalecidos. É um ciclo constante, pois como podemos dar amor se não temos? Para amar o próximo como a nós mesmos, não poderemos dar restos? É uma questão simples, mais complexa, que deve ser refletida e solucionada a questão, para que efetivamente possamos utilizar e usufruir dos benefícios do amor ao próximo, ao semelhante, ao marido/mulher, filhos, companheiros, enfim, aqueles que estão junto conosco nesta caminhada chamada vida.
terça-feira, 24 de abril de 2012
DESALENTO
Nos dias atuais no Brasil, vivemos "dias de desalento". Infelizmente, apesar do País estar em "pleno vigor", pelo menos na área econômica, conquanto o Governo está gastando com a manutenção do real (dinheiro) o valor aproximado de R$-472 milhões. Na representação política atual, raras exceções, causa desalento no cidadão. É verdade, não se pode viver de utopia, que existe sociedade sem corrupção. Mas no panorama nacional, está recheado de notícias de corrupção política, envolvendo parlamentares, autoridades, agentes públicos em geral, empresas e esquemas. Não chega a atrapalhar o dia-a-dia do cidadão, mas, ela fica "puta da vida", quando é informando que "tanto milhões" foram desviados, e inexiste investimento em infraestrutura, tanto necessário e essencial para o dia-a-dia do brasileiro. Transporte público, é lotado, não dá conta de transportar o povo. Aeroportos, é uma cilada, não tem certeza da chegada, quando houver qualquer anormalidade do tempo. Vias públicas das cidades, são precárias, com excesso de sinalização, e não dá acesso a lugar algum e as vias expressas congestionadas. Saúde, nem sequer falar, haja vista, que "filas e filas intermináveis". Habitação (popular), não atende todas as pessoas que necessitam de verdade, para se livrar do aluguel, da favela, do esgoto. Quando alguém consegue casa popular, é por indicação política, a não ser em casos que o cidadão tem renda necessária para ingressar em projetos diferenciados, ou quando "morre a família soterrada aí surge casa para os desabrigados, porque é uma emergência e poderia ter evitado o caos, a morte, a ruína). Educação, vai tão mal, que embora haja esforço de melhora, infelizmente estamos formando gerações de ignorantes, sem perspectivas. Enfim, não é o caos, não é o berço explendido, poderia ser mais do que isso. Pela natureza do nosso povo, que sempre quer ser feliz e tem esperança e capacidade de luta, o Brasil com o atual desenvolvimento, economia a todo vapor, agricultura abençoada, enfim, recursos naturais abundantes, como se fosse a figura do "Éden", poderíamos ser mais que a sexta economia mundial, com felicidade plena para o povo, uma promessa de esperança para os jovens e crianças, apesar do atual "caos de moralidade e ética, descompromissado totalmente com a democracia", poderiam sonhar com um país decente para as futuras gerações.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
ÉTICA PÚBLICA
Não é só no Brasil que existe corrupção. Infelizmente esse vírus
está espalhado pelo mundo, principalmente, onde existe o exercício do poder,
propriamente dito e do poder político. Fatos recentes informam que o Presidente
da Alemanha, não esperou a conclusão do processo sobre tráfico de influência e
renunciou. O rei Juan Carlos da Espanha, não esperou conclusões sobre o mal uso
de recursos públicos por seu genro, afasto-o da família real. No Brasil, a
Presidenta Dilma, não esperou apurar denúncias contra ministros, aplicou a pena
de demissão. Evidentemente não se espera de forma alguma uma transparência de
100%, pois isso é uma utopia, hipocrisia e um falso moralismo. Há muitos séculos o homem convive com
corrupção, traição, crimes, escândalos, jamais desaparecendo nas relações
sociais. Não obstante a isso, temos
sempre a esperança (não se deve desesperar) que sempre haverá mudança,
alterando o poder, afastando-se a corrupção e o jogo político de interesses, e
no Brasil a aplicação da Ficha Limpa. Não se pode perder de vista, que a ética
( na vida pública, na economia ou na vida pessoal) é um conjunto de valores morais e princípios
que norteiam a conduta humana na sociedade. Deve ser aplicada na vida pessoal e
pública, e demais relações sociais, nunca, entretanto, devemos se conformar com
a impunidade, leniência, conivência ou cumplicidade com desvios e transgressões
ética, nem com a impunidade, tão frequente em nossa nação. No Brasil, nos dias
atuais, os cidadãos têm notado o esforço da sociedade civil, além
dos poderes constituídos, para impor
transparência, forçando a aprovação de Códigos de Condutas e também para
efeito eleitoral a Lei de Ficha Limpa, apesar de existir, além dos controles próprios
de cada administração pública (interno) , o controle externo feito pelo
Tribunal de Contas, com previsão constitucional (artigos 70 a 75). A
ética pública está aí presente, combatendo e exigindo dos poderes constituídos,
controle e punição. A democracia, embora apregoa liberdade, é um regime que
exige obrigações recíprocas. Exige-se respeito de uns para com outros,
exercício de poder com princípios éticos, gerando confiança da boa governança
da “coisa pública”, com valores de integridade,
moralidade e no mínimo decoro,
necessários para lastrear o respeito e confiança dos cidadãos, enriquecendo e assegurando o bom convívio
social. A ética pública brasileira, é prevista no artigo 37 da Constituição: “A administração pública direta ou indireta
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade (transparência) e eficiência...”. A boa administração pública, com ética,
consiste na promoção incansável da prosperidade, justiça, paz e liberdade que
todos aspiramos para um Brasil melhor, digno de legarmos aos nossos filhos e
netos.
Matéria publicada no Jornal "Folha Regional de Cianorte", dia 22 de abril de 2012.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
LÍDER E PODER
Estamos quase chegando a meados de 2012, ano de eleições municipais em todo o Brasil. O eleitor e o cidadão brasileiro, fica preocupado com a atual crise de liderança política existente no Brasil, aumentada recentemente pela perda da confiabilidade (candidato-eleições-política). Começou com a crise instalada no Governo Collor, onde a corrupção aflorou de maneira aberta. Assim sucessivamente de lá para cá, muitos casos foram descobertos na política brasileira, onde foram instaladas CPIs, em todas as esferas de poder (federal, estadual e municipal). É quase impossível no dia-a-dia não aparecer notícias sobre corrupção, envolvendo líder político e poder, agentes públicos e autoridades, em todos os níveis. Recentemente a nação sofreu o impacto no noticiário do Senador Demóstenes de Goiás, ligado às operações de Carlinhos Cachoeira. É óbvio que este parlamentar foi eleito o “pivô dos fatos”, contudo, existem “n” pessoas envolvidas neste sistema, inclusive, exercendo mandato político, além de agentes públicos e autoridades, pois a corrupção é uma rede de interesses. Impossível por certo alguma CPI nesse sentido, é evidente o envolvimento de muita gente, autoridades e parlamentares. A corrupção de fato está diretamente ligada ao líder e ao poder. O que se tem perdido de vista principalmente no cenário político nacional, é que o cidadão eleito, líder e detentor de poder, perdeu a noção do bem comum. O que se retira do contexto do exercício do poder político, é que o líder (detentor de mandato), com ressalvas, tem utilizado do poder para proveito pessoal, negando a utilidade do mandato para promover o bem comum. Uma das finalidades do poder e o exercício da liderança política, salvo engano, é servir à comunidade, a população, ao cidadão, enfim, a todos, sem reservas. Exercendo o mandato, o líder político deve trabalhar para o bem de todos, máxima do poder e do líder, retirando-se a filiação partidária ou interesses pessoais, grupos ou “compadrio”. Perdeu-se a integridade, a lisura, a ética, à disposição de luta pelos interesses do cidadão e da sociedade. É lógico que existem exceções, nem tudo está perdido, contudo, não se deve perder de vista que “a finalidade do poder não é servir a si próprio e sim servir a todos”.
Publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte", edição de 15 de abril de 2012.
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