Nem a presidente, nem
o governador, nem o prefeito e nenhum político sabem com certeza o que levou a
população à rua e os protestos. Podem talvez entender, mas não compreendem,
certamente. Primeiro, o que se tem visto, é a inexistência de bandeiras
partidárias, ou se há, é em mínima escala. Segundo, é que o povo está de “saco
cheio” de tantas promessas, falatórios, hipocrisia desmedida, mentiras,
inverdades, nada se resolve, e o povo
continua a pagar a conta (impostos +
impostos + taxas...), protestam por inúmeras razões, mais protestam. Terceira,
são protestos pacíficos, exceto alguns exageros de violência e vandalismo, que não retira o mérito e a idoneidade deles. Existe
uma fonte ampla e latente de descontentamento da população com a ausência de
serviços adequados e de qualidade que devem ser prestados aos cidadãos, talvez
são fundamentos maiores para a continuidade dos protestos. Por exemplo, o
transporte público em grandes cidades, o povo é massacrado dentro de ônibus,
trens e metrô cheios e lotados, como amontoados... É massacrante, vida miserável. Só quem
utiliza todos os dias sabe o que é a oferta desse serviço público. Saúde, nem se fala, fila sem igual, meses de
espera para atendimento. Educação, de má qualidade, infelizmente, não prepara a
criança, o jovem, para a vida e para a capacitação do trabalho, com poucas
exceções. Ainda, o cidadão, para andar numa estrada dita decente, com seu
veículo 0 Km (comprado com isenção de
impostos) paga pedágio, mas a estrada não tem pista dupla, não tem viadutos, nada
oferece de segurança. Fato público e notório no Paraná e em muitos estados da
federação, onde a população ficou refém de empresas que visam o lucro
desmedido, que financiam campanhas e se protegem, são amparadas por contratos
leoninos. Ultrapassado as eleições, os eleitos, fogem do meio do povo,
preocupados com sua esfera pessoal e de seus feudos, deixando o povo a “ver
navios”, nem sequer preocupando-se em realizar as promessas feitas. Raras
exceções, algumas são cumpridas, com apelos incessantes da população. A
esperança acabou, o sonho está se tornando pesadelo, e a sociedade quer voltar
a ter esperança, sonhar, ter um futuro para os jovens, isso talvez seja alguns dos motivos dos protestos, que vai
além de vinte centavos. Da corrupção e do superfaturamento de obras públicas,
quando realizadas (construídas e entregues) até o final, retira-se os
investimentos em saúde pública, educação, segurança, infraestrutura e no bem
estar do cidadão. A revolta deflagrada pelo transporte público, não é nova no
Brasil, remonta à Revolta do Vintém, de 1880, cujo motivo foi o aumento das
passagens de bondes. Certamente, todos os governadores, prefeitos, secretários,
vereadores, ministros, senadores, deputados, nunca entraram em um ônibus, nunca
viajaram em um, não sabem o que significa a luta diária da condução, porque têm
veículos oficiais. Também nunca tiverem que enfrentar as filas desumanas de
atendimento de saúde, nem aguardar a vaga para seu filho na creche, na escola
do bairro, na fila de emprego, na fila de serviço público para receber
atendimento, enfim, com certeza não sabem e jamais imaginam a má qualidade dos
serviços públicos prestados, salvo raras exceções. O Brasil, apesar de mais rico, mais democrático,
necessita de liderança política que ouve o povo; partidos políticos que tenham
ideologia e não sejam “balcão de negócios para enriquecer líderes”; menos
corrupção, mais transparência, e o direito do povo em ter dignidade com serviços
públicos adequados: saúde, educação, segurança, transporte, no mínimo. Sonhar,
ter esperança, dignidade, respeito, é que o cidadão quer e que os jovens sonham
e desejam, talvez seja esses alguns dos motivos dos protestos no Brasil, na
Europa e pelo mundo afora.
Artigo publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte", edição dos dias 23-24 de junho de 2013.
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