Uma coisa
que chama minha atenção especial é pela quantidade de vezes que as pessoas
apelam para dizer sobre "amor", "felicidade",
"alegria", "gratidão", "solidariedade", "enxergar
as pessoas - amar as pessoas". Geralmente isso é ressaltado em discursos
de formaturas, principalmente, quando os mestres se dirigem aos seus ex-alunos,
informando nestas situações suas “fragilidades e frustrações” como ser humano,
ao contrário do “status” que possuem na vida real. Nestas situações em que
presenciei, fico imaginando e refletindo que as "pessoas falam muito sobre
isso porque não conseguem viver de fato essas situações"... Ou se
vivenciam ou já tiveram a chance de “vivenciar”, talvez por “meros instantes,
em oportunidades raras”. As palavras nada mais são que confissão - expressão
viva - daquilo que não se pode viver ou querem viver
e não têm força pelo orgulho, pela posição social, pela religião, porque se
importam que as outras pessoas vão dizer e pensar sobre as atitudes e rumos de
vidas, pela pobreza interior (deserto interno) e assim passam pela vida
totalmente frustradas (não conseguem vencer as barreiras da vida, por mera
conveniência de mudança...), desafiando a própria vida que é puramente simples
de viver. Segundo os filósofos, poetas e
estudiosos no assunto, existe felicidade,
alegria, amor..., mas se tornam como fragmentos,
ou seja, em pequenas doses e em pequenos instantes. Quanto ao amor, também, é
um sentimento exclusivo de situações, que para permanecer, é muito oneroso sua
manutenção, exige reciprocidade de comprometimento, quando se tem dois lados,
principalmente, na sua ampla essência e dimensão. Com relação à gratidão,
embora seja uma fórmula de preservação de relacionamentos, ainda que
passageiros ou momentâneos, poucas pessoas, se voltam a agradecer por meros
atos que outros lhe prestaram, simplesmente, passam sem olhar, sem perceber. Poucas
pessoas, agradecem ou devolvem um ato de
gratidão, não que sejam nitidamente ingratas, é porque não têm a sensibilidade
de perceber, simplesmente. As pessoas se reservam e preservam de usufruir de
alegrias, felicidades, amores diversos, viver intensamente, principalmente pelo
comprometimento e pelas regras sociais. Talvez
seja isso que mais impedem as pessoas de ter um livre acesso a alegria,
a felicidade, ao amor (numa dimensão total) viver
de forma mais natural, mais humana. Enfim, sentimentos ou
comportamentos, que vividos ou experimentados, podem mudar ou alterar o curso da
vida, por completo, ainda que sejam vividos por instantes, em pequenas doses. Vale
a pena viver esses momentos, porque é o combustível para busca de tornar a viver novamente, ainda que seja um instante
sequer, uma esperança de busca sem fim...