Para descobrir a felicidade e ser feliz, ainda que de forma
compulsória, tudo é festa. Todos precisam entrar no ritmo de festas e baladas
administradas pelo mercado de consumo, para
ser feliz a qualquer custo, nem que para isso essa felicidade dure apenas
segundos. A simples constatação da ocorrência
diária de festas ou baladas (na região de São Paulo – Capital, por exemplo são
mais de 500 casas noturnas legalizadas e centenas irregulares), incrementadas
pelo consumo de bebidas (álcool) e drogas
afins. Tudo é vivido sem sentidos, porque não dá tempo para pensar, pois a turbinagem do tempo se torna fato de grande
relevância, com inversão de todos os valores ao nosso redor. Tudo
se torna novidade, em matéria de festas, é como se fosse a exposição de
carros novos e lançamento de mercadorias, como novidade, causando excitação
para vender e circular. Algumas festas se tornam teatros da vida, outras
terminam em tragédias, com a perda prematura de vidas. Existem festas que são
de sentimentos regulares e as pessoas se divertem e são felizes, com música, mas
não se esquecem da vida, da realidade e dos problemas do dia-a-dia, pois
ninguém vive sem laser e bem estar. Nas
festas ou baladas, como se dizem por aí, vale tudo, tudo muda, tudo transforma (suor e desgaste físico permanente),
caracterizando um mundo à parte, com o confronto de luxo e luxúria, para os que
têm e para os que não têm. Não é espaço
democrático, como dizem, onde não existe diferença de classe social. Nesses
espaços, existe o conflito entre a felicidade real e os desejos de ser feliz a
qualquer custo, mesmo que seja fração mínima de tempo, não limitado ao estado
financeiro pessoal, cada um encenando alguma coisa. Os participantes, mesmo em
uma massa coletiva de pessoas, buscam a particularidade de ser singularmente
feliz, encontra-se uma parede, onde as ofertas do mercado e consumo, se tornam todos iguais, empobrecendo
o indivíduo, gerando a frustração no final de “celebrar nada”, restando o
consolo da festa, da música (se teve e ouviu), já que está sendo
substituída por “rojões, fogos de artifícios, pirofagia”. Nas festas e/ou
baladas, tudo é consumo e mercado, por nada se festeja tudo, pura êxtase,
encenação, frustração, nada real, como a vida é. Até breve.
Publicado na Folha Regional de Cianorte - edição de 10 de fevereiro de 2013.
Anotação: Na Folha de Londrina, edição de hoje (11/2/2013), vem contendo a reportagem de capa: "Overdose - Intoxicação por drogas aumenta 595%. Levantamento da Secretaria de Saúde de Londrina mostra que número de atendimentos hospitalares, entre 2007 e 2011, saltou de 22 para 131. Problema mais comum é a combinação de álcool com crack ou cocaína. Para médico, casos ainda são subnotificados".