"O ato de escrever é mais complexo e mais demandante do que o de pensar sem escrever". (Paulo Freire - Professora sim tia não. Ed. Olho dágua, São Paulo, 17ª edição, agosto 2006, p.9).
A tarefa de escrever, como muitos têm impressão, não é um mero fato qualquer. É é antes de tudo, produto de reflexão, pensamentos, pesquisas, vivência, diligência na prática diária. Também não é exercício mecânico, pois cada palavra colocada no papel tem um sentido no texto, produto de reflexão e expressão. Escrever, além disso, é um processo continuo de aprendizado. As vezes tem-se a valentia, a ousadia, coragem de expressar pensamentos e idéias, emoções, tristezas, dúvidas, angusticas, medos, paixões, ainda em confronto a própria razão, a realidade, a pensamentos instalados na sociedade que alienam as pessoas, tornando-as seres subservientes (talvez até de forma inconsciente levados pelo blá-blá interminente de informações, muito utilizado em propaganda e publicidade de indução ao consumo). A exposição de idéias, sentimentos e pensamentos, num texto é uma forma de expressão que poderá alterar muitas idéias de pessoas, que aguardavam por um alimento, afim de superar muitas atitudes, talvez, até situações de decisões. Assim como o artista expressa em sua escultura e pintura, suas idéias e quer transmitir ou chamar atenção a situações da vida, o escrito, poderá transformar pessoas, conduzir a caminhos que talvez não tinham nenhuma orientação de seguir. Estamos vivendo dias em que as pessoas simplesmente se mantém ligados uma limitação da mente, não conseguindo criar idéias próprias e críticas sobre muitos assuntos que fazem parte do dia-a-dia. Talvez nem sequer se dão conta, para dizer e discernir que é belo, lindo, bonito, feio, inteligente, criativo, entre outras coisas. São dotados de pensamentos estreitos, por falta de amparo na leitura, na pesquisa, na reflexão efetiva, por ser deficiência no aprendizado, e, talvez porque se detém a simples ouvintes e consumidores de programas televisos que nada contribuem para o crescimento intelectual, a não ser instalar no indivíduo um pensamento de consumo ou pensamento marginal de violência, para ser notado ou chamar a atenção. Para se chegar a coerência de um escrito, é necessário a vivência, e assim, com reflexão de idéias, transformar em palavras que levam o leitor a pensar, refletir, retirar do texto a crítica necessária para sua vida, para sua subsistência enquanto cidadão, no exercício de qualquer atividade que a vida exige (trabalhador, profissional liberal, pai, mãe, irmão, professor, estudante). Não se pode retirar do texto, pela leitura, uma noção definitiva, pois as idéias são pensamentos provisórios, como um barco em águas, motivando a remar por águas, sejam elas turbulentas ou calmas até chegar a um porto seguro, que nada mais é que um ponto de partida ou chegada. Sempre temos portos seguros, quer na saída, quer na chegada e escrever motiva a navegar por águas diversas, carregando emoções, reflexos, angústias de saber o resultado em cada leitura feita pelo leitor.