Artigo publicado no Jornal "Folha Regional de Cianorte edição de 19-20 janeiro de 2014".
A força invisível do povo passou a ser uma constante realidade no Brasil, após as manifestações de junho de 2013. O povo premido e indignado pelo descaso e a falta de políticas públicas, passou a ocupar as ruas, demonstrando sua força, sua cara, a exemplo do que ocorre em outros países, mundo afora. Ocupar as ruas é o mínimo de direito, garantia constitucional, todavia, diante do atual cenário, em que vivemos certamente a povo deverá ocupar outros locais e espaços, pois as ruas serão pequenas e curtas para a demonstração de força e indignação. Exigir mudança no atual modelo político, econômico, social e muitos aspectos da vida em sociedade de interesse comum (meio ambiente, paz, segurança, direitos individuais,...), é um direito, mesmo que não haja liderança e nem formalização, nem articulador, nem pautas, nem partido político, nem representação da sociedade organizada, demonstração de mobilidade e força do povo surgindo nas ruas em inúmeras cidades do Brasil (exceção de vândalos e marginais que aproveitam essas movimentações para seu agir criminoso, extrapolando limites de respeito dos espaços públicos e das pessoas). Vale a pena, produz resultados e demonstração que “não somos tão passivos” como muitos entendem. Vivemos numa sociedade dividida, de um lado a sociedade de ficção (autoridades, classe política e poderes constituídos) amparados em privilégios, onde tudo parece estar bom (sensação), dentro da legalidade, sob controle. Do outro lado, existe a sociedade real, onde está o povo, a população, o pequeno comerciante, o agricultor, o profissional liberal, o assalariado, o funcionário público, operário, o industriário, enfim, o povo indignado, oprimido e explorado, num sentido amplo da realidade, onde se faz o“remendo” para as ocasiões de tragédias, abandonados ao próprio destino, porque falta gestão pública eficiente, transparente, sem demagogia. Não é exagero, é realidade, pois existem problemas crônicos anos a anos sem solução, como as enchentes e deslizamentos (existem outros) que ocorrem em vários estados da federação, na virada do ano. Mais, a violência extrema, sem controle, que vem ocorrendo, como no caso do Maranhão, onde foi incendiado a menor Ana Clara, 6 anos, inocente, queimada viva por bandidos no terceiro dia de 2014. É óbvio que outros Estados da federação, vivem terminantemente sob um ambiente violento, embora maquiado por estatísticas governamentais, onde a população não exerce o direito de ir e vir plenamente, são tutelados por ambientes marginais, onde o Estado não intervém, pois nega os direitos mínimos de cidadania. Não se pode mais fingir que o Brasil vive em tempo de paz, diante da omissão completa do Estado, apesar de políticas públicas, para aniquilar a desigualdade social. É legitimo o exercício do direito de se manifestar nas ruas, com moderação, equilíbrio, respeitando limites, em busca de direitos mínimos de cidadania (transporte público eficiente, saúde e educação de qualidades, segurança, bem estar, habitação, emprego, direitos sociais diversos). Em junho de 2013, a “panela de pressão” já estava prestes a explodir e os aumentos das passagens do transporte coletivo em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, e em outras capitais e cidades, foram apenas o gatilho para que o povo fosse as ruas em todo o Brasil. Neste ano de 2014, já iniciou-se em São Paulo, movimento denominado “rolezinho”em “shoppings”, convocados pelas redes sociais e a tendência é aumentar em 2014, já que é ano eleitoral e copa do mundo, e a mídia nacional e internacional está ligada no Brasil. O povo voltou da anestesia, descobriu sua força e poder, portanto, manifestações em ruas, será uma realidade constante daqui para frente. Espera-se que respeitem o limite de “ir e vir” de cada cidadão, regra básica de convivência na sociedade.