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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

DISTANTE DEMAIS...


O efeito colateral da eliminação da "comunicação propriamente dita, a verdadeira" (de mim para ti, de nós para eles... que Saramago preferiu chamar de versão original) da pauta de tarefas urgentes, aqueles que não se deve deixar de lado, é outra das habilidades - que definham, esmaecem e desparecem - que a "comunicação verdadeira" exige"...(Zygmunt Bauman - 44 cartas do mundo líquido moderno ed. Zahar, 2011, p.47). 
Desenvolvem-se tecnologias de comunicação de forma progressiva e se retira a genuína comunicação entre as pessoas...
Num mundo tecnológico temos a sensação de estar perto, todavia, estamos conectados, longes uns dos outros, bem distantes, num horizonte sem fim e particular...
Cada um no seu mundo próprio e estranho...
Lidar com isso tudo é uma longa caminhada, talvez sem perspectiva de melhora em pouco espaço de tempo, pois ainda vivemos a sensação do bem estar de tecnologias: novidades a cada instante, que seduzem as pessoas a gastar mais e trabalhar mais, para adquirir esses bens.
Satisfação plena de consumo.
Daqui a pouco já não se ouvira mais vozes, risos, choros... vamos ficar com saudade das discussões familiares, religiosas, políticias, debates de futebol, enfim, aquele converseiro legal, natural...
Eis a fragilidade das "conexões e desconexões"...
Parecemos juntos, mais estamos longe uns dos outros...
Distante demais,  cada dia mais, infelizmente...

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