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domingo, 27 de maio de 2018

OUVIR OS GRITOS NA TRAVESSIA...



[...] o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia". (João Guimarães Rosa - Grande Sertão: veredas, 9a. edição, p.52). 
Nesses dias em que vivemos da "movimentação da classe dos caminhoneiros no Brasil (sete dias ao menos), temos consciência de uma travessia,   a margem, pessoas esquecidas...Recentemente tivemos em São Paulo um grande incêndio, ceifando vidas, desagregando pessoas que estavam a sobreviver  em busca de uma moradia, uma tragédia sem limites, horrores de uma guerra urbana, uma realidade social que impacta qualquer cidadão, fere a dignidade, pois somos um país rico e temos muita pobreza, infezlimente. 
Todo o movimento social é interessante para dar um choque de realidade em nós. 
Nesses dias estamos convivendo com sacrifício a movimentação dos "caminhoneiros". 
Mas temos que apreender na caminhada, principalmente, a importância de cada um na sociedade... 
É só andar que vemos os que estão à margem... 
Isso já ocorreu lá atrás, com o andar de Jesus, segundo as escrituras, "andava e buscava aqueles que estavam à margem: o fariseu, o arrecadador de impostos, a prostituta, o mendigo, o cego, o aleijado, o rejeitado, enfim...
Em tempos modernos estamos a escutar os gritos... muitos que consideramos estranhos encontramos na travessia, na caminhada... 
Talvez pelo menos na sociedade do mérito, na travessia vamos "ouvir os gritos"...não há como não se incomodar com o que esta ao redor, à margem..
Hoje são os caminhoneiros, amanhã os professores, amanhã os agricultores...
Vida que segue, enfim, "andar faz caminhos"...


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