"Queria transformar o vento.
Dar ao vento uma forma concreta e apta a foto.
Eu precisava pelo menos enxergar uma parte física
do vento: uma costela, o olho...
Mas a forma do vento me fugia que nem as formas de uma voz...
(O vento - Manoel de Barros - Poesia completa, ed.
Leya, 2013, p.356).
Muitas vezes queremos dar formas de
"situação e/ou até de vida" aquilo que já tem sido criado pela
natureza para imaginação da pessoas...As vezes em nossa imaginação queremos
"abraçar ventos"... e não leva a nada... O “poeta” escreveu para que
possamos “transcender nossa ínfima imaginação”.
Têm momentos na vida, que não sabemos o motivo, nossos atos e
procedimentos não levam a lugar nenhum, muito menos com efeito de transformar o
vento, já que este fenômeno é natural. Imaginável querermos alterar sua
movimentação. Alguns, querem através da
demonstração de poder ou abuso dele, imaginar alterar essa fenômeno. Mas é
nitidamente, uma motivação figurada de uma situação vivenciada. Imaginável o
homem transformar o vento, dar forma de vida, já que sua essência é a própria
vida, sem rumo determinado. Talvez a criação já tenha definido tal movimento, pois diversos ventos
têm atingidos nossas vidas: ventos moderados, normais, tempestuosos, enfim,
diversos efeitos de “ventos” como dizemos. Ninguém vive sem experimentar “ventos
em sua vida”. Seria até sem graça, ter a vida como um destino previamente
traçado. A surpresa da vida, a alegria que ela nos traz, é justamente as
diversas formas de vento... De repente surge, passa, vai, transforma, machuca, educa,
disciplina... mas vai embora e voltamos à
espera de novos ventos e não existe resistência para conter ventos - sempre virão...
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