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quinta-feira, 28 de maio de 2015

O ABUSO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA NA CPI DA PETROBRÁS ORA INSTALADA NA CÂMARA FEDERAL


Esta missiva foi enviada via e-mail para o endereço do eminente Deputado Federal Hugo Motta,  Presidente da CPI pelo correio eletronico e-mail no endereçodep.hugomotta@camara.leg.br”.
"Sempre tenho a honra de assistir as sessões desta Câmara Federal transmitidas ao vivo pela TV Câmara, inclusive, nos finais de tarde, quando possível e o trabalho me permite. É fato e o cidadão sente-se orgulhoso do exaustivo trabalho dos parlamentares na defesa dos interesses do povo brasileiro, debatidos neste Parlamento. Desde já, manifesto meus parabéns a sua atuação prudente e moderada como Presidente da CPI da Petrobrás, pelo seu invejável controle sobre a situação, estendendo-se aos nobres Deputados que compõem a CPI e os demais participantes da Câmara.

Contudo Nobre Deputado e presidente desta CPI, todavia, não considero digno o tratamento dado “a depoentes”, como constatei ao assistir a sessão do dia 05 de maio de 2015, quando presente a sessão o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Sr. Paulo Roberto da Costa.
Tive indignação, como cidadão e advogado, o despojado desrespeito dos Eminentes Parlamentares em questionamentos dirigidos ao depoente, pois foram desrespeitados totalmente direitos humanos previstos na Constituição Federal, cuja Carta Cidadã os Eminentes Deputados juraram cumprir.
Não sou juiz, censor, árbitro ou regulador de qualquer procedimento adotado pela CPI, que possui princípios próprios e autônomos de funcionamento, obviamente.
O que está em jogo, é o tratamento digno desrespeitoso ao depoente, embora no mérito da situação posta, mesmo que seja considerado “o maior crime, fraude ou hediondo sistema corruptivo que participou perante a Petrobrás e ocorrido no Brasil nos tempos atuais, com anuência dos  poderes de Brasília, assim considerado em sentido amplo crime lesa-pátria”,  conforme já está exaustivamente  demonstrado, não se retira o direito de se ter  tratamento de forma digna, como “ser humano”, mesmo porque o Brasil é signatário de tratados internacionais que exigem o tratamento digno a qualquer cidadão, mesmo na hipótese da situação comparativa de “réu” na CPI instalada.
Tenho que, como advogado, cidadão e eleitor, que os Eminentes Deputados, embora com razão aos fatos, todavia, o tratamento deve ser feito com urbanidade, dignidade e prudência, jamais da forma como alguns tem-se manifestado nestas ocasiões,  o que retira o brilhantismo da atuação deste Parlamento, ou pelo contexto apresentado, certamente mais depoentes utilizarão, o recurso do Habeas Corpus preventivo expedido pelo Supremo Tribunal Federal STF, em proteção ao direito ao silêncio e à personalidade, o que afastaria profundamente o brilhantismo exaustivo desta CPI, que superou o grande obstáculo com sua criação e instalação. Aliás grande avanço democrático em tempos atuais.  
Ademais, o cidadão “depoente”, embora considerado culpado de ações criminosas e fraudulentas, já confessadas na delação premiada,  perante a autoridade  do Poder Judiciário, homologada pelo Supremo Tribunal Federal,   não negou em nenhum momento tal conduta,  e continua “ser humano”.
Todavia, não foi o “depoente Paulo Renato autor exclusivo dessa “arquitetura fraudulenta e corruptiva de longo período dentro da Petrobrás”, pois é certo que teve solidariedade na mentalização, na execução e nas estratégias diversas visando a realização da corrupção, o que deverá ser recomendado a apuração dessa situação, dentro do devido processo legal, jamais com questionamentos de exaltação e desproporcionais ocorridos, como ocorreu na sessão citada.  
O que leva a indignação, é o tratamento e desrespeitoso dos Deputados da  CPI,  aos depoentes, principalmente, com relação a sessão de ouvida de Paulo Roberto da Costa, o que mais parece com um Tribunal de Inquisição, embora os fatos sejam norteadores de revolta, mas não se deve perder a postura de um Representante digno do cidadão brasileiro, talvez até a fecundidade do trabalho exercido pelos Nobres Deputados na investigação instalada.
Assim dirigido ao Sr. Presidente da CPI, como cidadão, eleitor e advogado, que continue seu exemplar trabalho e peça encarecidamente aos Senhores Deputados Federais componentes desta CPI, o mínimo de tratamento digno aos “depoentes” que estarão  presentes as próximas Sessões, pois estão submetidos a lei, e nenhuma norma de imunidade parlamentar ou atuação na CPI,  esta acima do “respeito aos direitos humanos”, previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 10 de dezembro de 1948, artigo 06 “Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei”. (nosso destaque). Além disso, exige-se atenção ao princípio cristão de amor ao próximo, fraternidade, sem discriminação.

Não espero dessa carta um exemplar acolhimento, não sou seu defensor nem tampouco quero arroubos desta missiva. Fica aqui minha indignação e repudio os fatos que assisti via TV, na data de 05 de maio de 2015, e que se faça uma reflexão  em relação ao comportamento exaustivo  e anormal dos Nobres Deputados Federais componentes desta CPI, quanto ao tratamento dispensado ao “depoente Paulo Roberto”.
Gostaria que Vossa Excelência fizesse a leitura desta indignação e repudio,  se permitir, pois não se pode admitir que o “tratamento indigno persiste nessa CPI”, afrontando os direitos fundamentais mínimos de um ser humano, princípios cristãos, relembrando também que todos que compõe a CPI, antes de serem “Deputados Federais”, são seres humanos.
Desta missiva será enviado cópia via e-mail ao Presidente da  OAB em Brasília e também ao Presidente da Seção da OAB/PR e também ao Presidente da Subseção de Cianorte, e onde mais se tornar necessário para que seja cumpridas as “regras mínimas dos direitos do cidadão”,  estabelecidas em lei ordinária, constitucional e em tratados internacionais que o Brasil é signatário, inclusive da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, realizada em San José, Costa Rica, em 22 de novembro de 1969, além obviamente da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Finalizando, transcreve-se magnífico ensinamento de Norberto Bobbio em sua obra “A Era dos Direitos”. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. 13ª tiragem, Rio de Janeiro: Campus, 1992, p. 01:
"A paz, por sua vez, é o pressuposto necessário para o reconhecimento e a efetiva proteção dos direitos do homem em cada Estado e no sistema internacional. [...] Direitos do homem, democracia e paz são três momentos necessários do mesmo movimento histórico: sem direitos do homem reconhecidos e protegidos, não há democracia; sem democracia, não existem as condições mínimas para a solução pacífica dos conflitos. Em outras palavras, a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns direitos fundamentais”.
 
Atenciosamente, grato a atenção que dispensar a estas singelas reflexões.
De Cianorte para Brasília, via e-mail.
Em 06 de maio de 2015.
Altimar Pasin de Godoy
Advogado - OAB/PR 17398".

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