A
escola em período integral é uma tendência mundial sem retorno, o que talvez
poderá ser implantado no Brasil. Países como EUA e Reino Unido, já têm escolas
públicas há algum tempo. No Brasil,
ganhou força quando entrou o Programa Mais Educação (PME), em 2007, mas é uma
realidade longe de se estabelecer no ensino público, mas pela atual temática
seria plausível fazer o teste e aprimorar as experiências. Em algumas cidades
de maior porte, escolas particulares têm adotado esse sistema, aumentando mais
a procura, em face do custo do empregado doméstico, o que vem dando resultados.
Muitas famílias têm optado por essas escolas, onde as crianças permanecem o dia
inteiro e retorna as casas à noite, com os estudos feitos (tarefas). Obviamente,
para as escolas públicas, é um desafio
necessário, também uma possibilidade de se integrar aluno-escola-família-sociedade; talvez uma ação a mais, para coibir a criminalidade infantil, preservando futuras
gerações, haja vista a permanência da criança na escola e sua retirada das
ruas, pois quando os pais trabalham e não existe alguém para cuidar e zelar, vão
para as ruas certamente. Todavia, não pode ser uma escola integral para o aluno
ficar dentro de quatro paredes, recluso, sem participação na vida. Tem que ter
uma estrutura polivalente oferecendo inúmeros cursos, fora as matérias de
conhecimento obrigatórias do currículo.
Talvez um projeto escolar para as crianças até o primeiro grau, seria
interessante, inclusive, com cursos alternativos, como prática esportiva,
educação física, música, teatro, atletismo, e muitos e outros afazeres, que
permite à criança estabelecer relação entre a programação desenvolvida na
escola e as atividades do dia-a-dia. A escola integral é um projeto de
desafios, que poderá dar certo, com a estrutura ampla, inclusive, de
professores e instrutores devidamente capacitados, preservando também o livre
pensamento dos alunos, mesmo porque, em tempo integral no ambiente escolar pode
se tornar exaustivo, acaso não tenha um projeto realmente criativo. No
Paraná, ensino integral ainda é um
desafio, pois existem 28% das escolas de ensino fundamental do quinto ao novo
ano, mas nem todas nos moldes exigidos. Segundo a Secretaria Estadual de
Educação (Seed), estima que cerca de 600 escolas, das 2.141 em todo o Estado,
ofertam a modalidade, com previsão de chegar a mil escolas até o final de 2014.
Talvez, além de desafios burocráticos, pedagogicos, políticos, carência de recursos
humanos e materiais, espaços físicos, existe uma falta de vontade de fato para
colocar em execução o projeto de escolas integrais, contudo, temos ampla
capacidade, pelo exemplo que temos da realização dos Jogos Pan Americanos, Copa
do Mundo e Olimpíadas, onde o país conseguiu recursos enormes para construção
de estádios, certamente vai conseguir recursos para o projeto nacional de escolas
integrais. Falando em Copa do Mundo, talvez sirva de estímulo e motivação para
implantação das escolas integrais, é que o Governo Federal gastou com a
construção do Estádio Mané Garrincha de Brasília, onde não tem futebol, para
sediar poucos jogos, o valor de R$-1,4 bilhão de reais, conforme levantamento
do Tribunal de Contas do Distrito Federal.
Se não for um projeto ideal a escola integral pública, é um desafio
iniciar, implementar, alterar o atual projeto, pensando em futuras gerações,
assim homenageando Anísio Teixeira (jurista, intelectual, educador e escritor brasileiro),
que na década de 1930, entendia que a “educação deveria voltar-se para a
formação integral da criança, considerando os interesses, as aptidões, as
habilidades e a realidade social de cada aluno”.
Artigo publicado no JORNAL "Folha Regional de Cianorte", edição 918 = sabado a 03 de março de 2014.
Visa o blog divulgar matérias sobre direito, política, vida e fatos, segundo o livre pensamento do autor do blog, e inserir no leitor provocações reflexivas, demandando o mesmo a pensar sobre o que foi escrito, os fatos descritos nos artigos, a realidade, tudo quanto se puder expressar através da escrita. Quando se fala em provocações, na verdade é dar um choque de realidade sobre o que se escreve, e levar as pessoas a refletirem sobre o conteúdo do escrito.
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