Como filho de professora, recebi os cuidados de educação de minha mãe, assim também meus irmãos. Do exercício do magistério minha mãe Lúcia Pasin de Godoy, sustentou sua família, pois ficou viúva e com três filhos menores. Assim como exemplo dela, muitas professoras, sustentaram sua família com atividade do magistério. De igual forma, professores. Entendo e pela vivência, "professor é sempre". Não é só na sala é o tempo todo.
Nesta data festiva (entendo que todo dia é dia do professor), transcrevo texto para reflexão de Paulo Freire, pois traz a baila um tema importante que é "direitos dos educadores" não levado a sério pelos Governantes e pela Sociedade:
"Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores.
Se há algo que os educandos brasileiros precisam saber, desde a mais tenra idade, é que a luta em favor do respeito aos educadores e à educação inclui que a briga por salários menos imorais é um dever irrecusável e não só um direito deles.
A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte.
O combate em favor da dignidade da prática docente é tão parte dela mesma quando dela faz parte o respeito que o professor deve ter à identidade do educando, à sua pessoa, a seu direito de ser. Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que a sociedade riscos de, a custo de tanto descaso pela educação pública, existencialmente cansados, cair no indiferentismo fatalistamente cínico que leva ao cruzamento dos braços. “Não há o que faze” é o discurso acomodado que não podemos aceitar.
O meu respeito de professor à pessoa do educando, à sua curiosidade, à sua timidez, que não devo agravar com o procedimento inibidores, exige de mim o cultivo da humildade e da tolerância. Como posso respeitar a curiosidade do educando se, carente de humildade e da real compreensão do papel da ignorância na busca do saber, temo revelar o meu desconhecimento?
Como ser educador, sobretudo numa perspectiva progressiva, sem aprender, com o maior ou o menor esforço, a conviver com os diferentes? Como ser educador, se não desenvolvo em mim a indispensável amorosidade aos educandos com quem me comprometo e ao próprio processo formador de que sou parte? Não posso desgostar do que faço sob pena de não fazê-lo bem.
Desrespeitado como a gente no desprezo a que é relegada a prática de pedagógica não tenho por que desamá-la e aos educandos. Não tenho por que exercê-la mal. A minha resposta à ofensa à educação é a luta política, consciente, crítica e organizada contra os ofensores. Aceito até abandoná-la, cansado, à procura de melhores dias. O que não é possível é, ficando nela, aviltá-la com o desdém de mim mesmo e o dos educandos.
Umas das formas de luta contra o desrespeito dos poderes públicos pela educação, de um lado é a nossa recusa a transformar nossa atividade docente em puro BICO ,e de outro, a nossa rejeição a entendê-la e a exercê-la como prática afetiva de “tias e de tios”.
É como profissionais idôneos – na competência que se organiza politicamente está talvez a maior força dos educadores – que eles e elas devem ver-se a si mesmo e a si mesmas.
É neste sentido que os órgãos de classe deveriam priorizar o empenho de formação permanente dos quadros do magistério como tarefa altamente política e repensar a eficácia das greves. A questão que se coloca, obviamente, não é parar de lutar mas, reconhecendo-se que a luta é uma categoria histórica, reinventar a forma também histórica de lutar". (Paulo Freire. Pedagogia da autonomia. 42ª reimpressão. 2010. Editora Paz e Terra, p.66-68).
PARABÉNS A TODOS OS PROFESSORES DO BRASIL E DO MUNDO.
Nenhum comentário:
Postar um comentário