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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

MUNDO ZIPER

"O mundo encurta, o tempo se dilui; o ontem vira agora; o amanhã já está feito. Tudo muito rápido". (Paulo Freire). Estamos vivendo no mundo da rapidez, da velocidade, e assim nossos sentimentos mais íntimos e pessoais são lastreados em relacionamentos rápidos, virtuais, é claro de evidente conexão. Pronto, "clic" e se relacione. Deleta e deixa de relacionar. Antigamente os relacionamentos eram feitos sob laços, ou seja, eram atados, como se fosse um "arreio que se colocasse nos animais para o trabalho", para exemplificar com mais intensidade. Veja que para fixar o "arreio" no animal era preciso muitas "fivelas, laços entre outros modos de fixação". Não existia ziper. Hoje, nossos relacionamentos são como "ziper", além dos virtuais e outras formas de se relacionar.  É puxar e abrir, sem ressentimentos. Do começo ao final, sem parada para pensar, num só ato. Pronto. Ao terminar estamos livres. O ziper é invenção moderna, para facilitar o vestuário e substituir os botões. Antigamente, era "laços" "botões"   "fivelas" entre "outros adereços" para utilizar nas vestimentas. Outro aspecto para registrar, eram as "cordas de sisal", que entrelaçadas, seguravam as cargas dos caminhões, além de "correntes e cabos de aços". Sempre tinham  evidente utilidade de fixação.  Não existia carroceria a granel é obvio o "ziper". Na utilidade de cordas, botões, fivelas, e adereços, certamente teria o atrito dos corpos, ondem poderiam chegar ao clímax da conciliação,  da paz, da convivência e da sociabilidade. Estabelecia-se um elo de ligação. Hoje, pela rapidez dos relacionamentos, nem chegamos a nenhum "clímax", é só deletar, desconectar, pois é virtual, passamos em frente, sem atrito, isso é a globalização de nossos relacionamentos, dos  "laços, botões e fivelas" para o  "mundo ziper". Rápido, sem atrito, sem remorso, caminhamos vazios, ocos, desmantelados, sem nenhuma história para contar e nenhum amor para viver ou que foi vivido, socorridos pelo tempo,  tão somente. Este apesar de tudo, continua o mesmo.  

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