Pesquisar este blog

domingo, 3 de julho de 2011

PORQUE O "SAPO PULA"

Como diz o provérbio “capiau” citado em Sagarana por João Guimarães Rosa: "O sapo não pula por boniteza, mas porém por percisão". Precisa a citação do escritor Guimarães Rosa, e o ditado caboclo citado, pois transcede para muitas situações de nossa vida, no dia-a-dia da sobrevivência. Realidade pura. Quem não pula e não pulou na vida (trabalhar, estudar, pensar, lutar, correr a atrás dos sonhos, amar, perdoar, sorrir, entristecer, chorar, lutar por ideais, votar, eleger, escolher, enfim, atividades necessárias para não ser atacado pelo predador). Até da morte, corremos, apesar de ser um fato natural e ocorrer com todos os homens?

Entendo que o sapo pula, porque “se ficar parado, vai ser comido pela cobra ou outro aninal predador, na cadeia alimentar onde está instalado”. Seria uma explicação razoável, pois se não tiver risco algum, talvez a opção fosse ficar parado dentro da água, seu habitat natural, dormindo, ou qualquer outro comportamento inerente a sua condição de “anfíbio”. Na vida é assim. Pulamos para sobreviver, não por mera diversão, mas por necessidade, e não diga que não seja divertido? Talvez seja esses "pulos" que nos leva a crescer, como pessoas e cidadãos.
Esta citação de Guimarães Rosa, é atualidade merecida de comentário. Na política, fato notório, a realidade do poder e as alianças partidárias. Cada partido querendo a participação no poder, nas diversas esferas da administração pública, pois se não procurar “pular” vai ser esquecido pelo eleitor, vai ser engolido pelas siglas maiores. Nas empresas, também além do lucro, procuram atrair clientes, para vender, sobreviver, e veja que atualmente estão investindo em treinamento empresarial (Petrobrás, Embraer, entre outras empresas, inclusive em nossa cidade), com certa intensidade, pois o mercado exige pessoas com formação profissional e qualificação, porquanto a educação secular deixou há muito desejar. Contrata-se segurança particular, afim de proteger a vida, o patrimônio, suprindo o dever legal do Estado, que deveria promover a segurança para as pessoas e bens, no que a Constituição define ser “dever do estado”. Na saúde, compra-se pacotes, denominados de “planos de saúde”, para suprir a ausência de saúde que também é garantia constitucional. Enfim, em muitas situações “pulamos como sapos” “não por mera diversão” mas para não sermos pegos de surpresas na escalada da sobrevivência, onde “se não pular” “o bicho pega”, melhor falando do cotidiano. As pessoas quando "pulam" o ganho pessoal é enorme. Ninguém tira esse esforço. Adquire conhecimento, equilíbrio pessoal e disciplina, dentre outras coisas que melhoram sua vida, indo além da "percisão", conforme escreveu o poeta.

Um comentário:

  1. É uma metafora, mais é lição para a vida. Viva Guimarães Rosa.

    ResponderExcluir

AFINAL DE CONTAS A VIDA É REAL E NÃO VIRTUAL...

Augusto Cury, em sua obra I ntoxicação Digital, ed. Benvirá, 2a edição, 2024, p.135, escreveu: [...] A vida é dramaticamente curta para se v...