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sábado, 26 de fevereiro de 2011

ROSAS DIGITAIS

Num tempo frenético pela felicidade, onde a liberdade de pensar foi substituída pela palavra interatividade; onde ser feliz é ganhar o prêmio de qualidade total (qualquer iso); é buscar forças no "prozac" "simbalta"; o símbolo do prazer "ser viciado" em qualquer coisa; ter tesão a qualquer custo, pelos "viagras"; ter beleza a qualquer custo, mesmo com o sério problema de adquirir uma síndrome, morrer na sala de cirurgia, numa cirurgia gástrica; manter as medidas a qualquer custo, como se fossemos seres subservientes, eternamente. Tudo é questão de consumo e de mercado. Já não se fala em tristeza, infelicidade, agônias da vida. Tudo é matéria do passado, e quem está "nessa vida", é ultrapassado, na sistemática mercadológica da vida. Vende-se tudo, pela propaganda midiática. Arnaldo Jabor escreve: "A alegria é um produto de mercado". Trocamos rosas naturais, perfumadas, com espinhos, que nascem e morrem, pelas rosas digitais, acertadas as cores pelo toque de cores de famosos programas de fotos (fotoshop). As mulheres fotografadas em digital, são tão perfeitas, que as mulheres reais, que caminham ao nosso lado no decorrer da vida, são tidas como "mercadorias fim de estoque", apesar de vivas e intelectualmente produtivas: casa, família, marido, filhos, netos, genros, trabalho assalariado, igreja, sociedade, assim por diante, tudo a administrar e controlar por sua conta e risco, são ignoradas pela propaganda da felicidade e alegria prometidas pelos irreais anúncios de produtos destinados ao consumo desde a margarina, carros, produtos de beleza, enfim, uma gama de produtos anunciados, que utilizados, farão você completamente feliz e alegre. Querem fazer-nos esquecer das rosas naturais, àquela cultivada pelo jardineiro, com zelo, destreza e carinho, a custa de muita dedicação, encontrada nos diversos jardins de casas nobres e rústicas, as vezes à beira das ruas, estradas, jardins particulares e públicos. Estão querendo substituir nossos sentimentos naturais de pessoa (ressentimentos, dores, tristezas, alegrias, felicidades, sonhos, pensamentos, liberdade de escolha, ... ) com comportamentos robotizados, sintonizados, programados, por convenções de felicidade e alegria, empreendidos por literatura e propaganda de autoajuda. Nosso mistério natural de vida, está ameaçado, portanto, cuidado com as "rosas digitais". Prefira sempre "rosas naturais", belas, com espinhos, nascem, perfurmam, embelezam e morrem. Essa é a vida, encarar as complexidades delas com suas reais imperfeições. Esse é o encanto da vida enfrentar os obstáculos, ao contrário do mercado, que quer colocar em nossa mente "satisfação completa" como se fossemos clientes e frequeses eternos.

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