Estamos cercados de infinidades de novidades num universo, onde não existem distâncias e limites para os fatos e principalmente crises. Presenciamos fatos e acontecimentos, em tempo real, como se estivéssemos presentes naqueles acontecimentos. Assistimos a tudo isso como espectadores passivos, sem reagir ao mundo que nos cerca, talvez inconscientemente, pois no dia-a-dia nossos problemas são reais, carne e osso, como se diz. Passamos a agir, pois nosso papel se inverte, passamos a ser ativos e enfrentamos a realidade, os medos, as pressões de um mundo massificado, onde a regra é consumir e a meritocracia assume papel fundamental para o desenvolvimento de pessoas. Há pouco tempo, houve o falecimento de Steve Jobs, o multibilionário de império “Apple”, com ampla divulgação a nível mundial, pois foi este cidadão, quem revolucionou a cultura com seus engenhos. É claro, teve lucros. Seus inventos tecnológicos, influenciaram decisivamente a cultura, pois se antes disso tínhamos um forte referencial de autoridade pessoal e local, com seus engenhos passamos a ter uma quantidade de indivíduos “conectados” num oceano, sem referencial algum, surgindo o poder coletivo. No aspecto tecnológico, não se discute a melhora que ocorreu e está ocorrendo. Mas, o que se tem observado, é que o ser humano, passou a agir como se fosse um ator, ou seja, representando papéis, em face desse poder coletivo e aparentemente feliz. Responder e ser correspondido, dizer sim ou não, tornou-se procedimento passado. Temos tristezas, alegrias, amores, emoções e uma infinidades de situações pessoais, que não vivemos, mas assistimos outros a viver. Sofremos pelos outros: morte, doença, tragédia, acidentes, guerras, desempregos, entre outras situações. Não que não seja importante a solidariedade, o amor ao próximo, mas estamos perdendo a singularidade e a identidade de um ser próprio, aparentemente dirigido pelo poder coletivo. Temos pensamentos, vontades, significação própria, com peso de fazer a diferença. Assistimos, então como observadores passivos, a cultura do anonimato, poder coletivo, que compartilhados por arquivos e downloads e outras invenções tecnológicas, de heróis passamos a ser vítimas, em um instante qualquer, mesmo assim , vivemos solitários, anciosos e insatisfeitos. “Histórias que eu não me esqueci/Momentos que eu nunca vivi/Se encontram e desapontam meu coração/Sei que é hora de recomeçar/Sem medo me abandonar/Acordar pra realidade, ser eu mesmo de verdade”. (“Ser eu mesmo”. Composição de Nando Rodrigues, Jonny e Paulo Marcio in “letras.terra.com.br/via33/1027756/ser-eu-mesmo-print.html”).